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Saibam os senhores que assim como quase toda a História do Brasil, também
a História da Baixada, no que concerne à arte e à cultura,
tem pontos obscuros até hoje não muito explicáveis que requer uma revisita
constante à pesquisa. Esta introdução é para estabelecer uma premissa
básica de que o painel que iremos traçar neste encontro carece de alguns
dados mais científicos, muita das vezes por falta de elementos de pesquisa,
que estão apoiados muito mais na tradição oral que na certeza oficial
das informações que aqui serão oferecidos.
Provavelmente cursos como este de História da Baixada e outros que poderão
surgir em torno do tema, desfavorecido em alguns aspectos, mas que é sempre
presente nas manifestações artísticas do seu povo.
Sendo assim, poderia dizer que a cultura na Baixada, com maior projeção,
aqui se instala ainda de forma irregular no início deste século que está
terminando, com toda expansão regional que se estabelece no que hoje chamamos
de Estado. A vivência e a sobrevivência no centro do Rio de Janeiro (Capital
do Brasil), torna-se difícil fazendo com que a população se embrenhasse
pela periferia fundando os bairros e até alguns municípios próximos ao
centro do Rio, próximos aí dentro de uma visão atual. Junto a este emergente
êxodo dos brasileiros de outros estados, principalmente o que comumente
se chama de nordestinos. O sonho da cidade-grande, alimentando de esperança
os que vinham de outras paragens para se estabelecer na capital do Brasil.
Normalmente pessoas de baixo poder econômico que ao se localizar nos principais
municípios da Baixada, se agregavam formando verdadeiras comunidades que
passavam a trocar experiências da cultura de cada estado a qual pertenciam.
Neste período o poder político se instaura imitando o processo dos senhores
de terra e dos engenhos dos setores mineiros e nordestinos. Um dos mais
atuantes e, para aquela época, um verdadeiro guru, foi o mitológico e
folclórico Tenório Cavalcante ao fundar uma comunidade que logo passa
a se chamar Bairro do Pantanal, em Duque de Caxias. Torna-se um líder,
cujo objetivo foi alvo de muitas controvérsias, polêmicas a parte, e não
adianta aqui contextualizar o lado político, mas sim admitir que era amado
pelo povo, que passava a vê-lo como mecenas, pois ele vem incentivar a
transformação da cultura trazida pelos migrantes em realidade mais próxima
do sudeste.
Em fins da década de 60 presenciei esta ascendência e este poderio quando
recém-saído da faculdade de pedagogia fui coordenador do turno diurno
e noturno do Colégio Maria Tenório, que ainda existe, fundado pelo "caudilho
ou matador de bandidos" como a imprensa marrom da época o classificava.
Outros mecenas também se espalhavam por outros municípios e cito o nome
de Tenório, porque foi o mais famoso e sua fama atravessou fronteira.
Com esta ebulição social dos cinqüenta primeiros anos deste século, as
manifestações culturais se expandem, mesmo que de uma forma tímida, porque
a elite dominante achava que aquilo era apenas "coisa do povo". Diversa
tendência folclórica se interliga em quase todas as comunidades. O reisado,
o frevo, a religiosidade afro-baiana vão se cruzando de modo mais intenso
formando verdadeiros grupos ou agremiações. Os que queriam se adaptar
aos costumes do sudeste fundavam os blocos de samba similares aos que
já existiam. A partir das reuniões no terreiro da tia Ciata, na Praça
XI, de onde saíram os bambas do samba, que depois fundaram suas próprias
escolas.
Em qualquer histórico de escolas de samba da Baixada, como Unidos da Ponte
de São João de Meriti, Beija Flor de Nilópolis e Grande Rio de Duque de
Caxias, que brilham anualmente na Marquês de Sapucaí, está presente a
importância destes blocos fundadores na formação destes que fazem, como
os turistas dizem, o grande espetáculo da terra.
Paralelo à evolução do samba, os terreiros de candomblé ou umbanda,
onde no caráter lúdico e de transe das próprias seitas ou religiões, descobre-se
o grande espaço de encontro dos nossos primeiros sambistas. Começa aí
a ascensão do povo, misturando-se com a elite e despertando nessa mesma
elite, primeiramente por curiosidade e depois por adesão total, o interesse
da sociedade por outras manifestações culturais fora do seu eixo de conhecimento:
Dois Zeladores ou Pais de Santo se destacam: em São João de Meriti, "seu
Miguel Grosso", cujas festas eram comentadas dias e dias após os eventos.
Depois das cerimônias religiosas a bebida e a comida (quase toda baiana
não só devido à crença como também pela origem natal dos referidos)
eram suporte para o samba de roda, base do pagode fundo de quintal, constante
, passados os anos, de qualquer festa pagã. O outro, em Duque de Caxias,
foi o "seu Joãozinho da Gomeia", de projeção internacional, devido às
suas várias incursões em outras áreas e costumes que se infiltravam entre
os ricos e famosos da época, chegando a ter filhos de santo estrangeiros.
Viva "O Mindareuá" ou "a francesa" ambos apelidos, diplomada pela SORBONE,
em Antropologia, mora em um sítio em Santa Cruz da Serra, distrito de
D. Caxias. Corajoso e inteligente, seu Joãozinho manteve por 30 anos seu
barracão no bairro Jacatirão. Fundou a Cia. de Dança folclórica com a
coreógrafa e bailarina Mercedes Baptista inaugurando os passos marcados
num desfile de escola de samba.
Seguindo a história e as transformações sociais ocorridas no mundo, surge
uma classe média atuante que vai intermediar as classes ricas e pobres.
Chegando à Baixada, os "novos ricos", com licença da terminologia moderna,
vão exigir das sociedades abastadas uma compreensão e atenuação maiores
para a grande discriminação que o povo pobre sofria.
Num arremedo da sociedade carioca, a nova classe cria uma geografia urbana
dentro dos próprios municípios fosse pelo poder financeiro ou pela ostentação.
A cultura e as artes vão juntas. Surgem as feiras livres, locais onde
artistas, desconhecidos, iriam experimentar suas artes, antes confinadas
a guetos ou comunidades. Em especial, as artes plásticas, com motivos
folclóricos expostos nas barracas desmontáveis a cada dia da semana em
bairros diferentes, e a música apresentada a céu aberto numa réplica mais
sofisticada das feiras medievais. A literatura de cordel, os repentes
e cantoria jocosa ou de duplo sentido, oriundos da cultura nordestina,
oferecem grandes oportunidades aos artistas até então sem espaço de ação.
O movimento conduzido de forma aleatória (nada de empresários, cachê,
no máximo o chapéu rodado ao final de cada função/espetáculo) descobre
uma cultura popular, autêntica e inaugurando, pelo sudeste, os sucessos
das duplas sertanejas contemporâneas. A dupla Jararaca e Ratinho inicia
sua trajetória pela Baixada, depois enveredando por caminhos de maior
sucesso, com apresentações nas rádios cariocas famosas como Nacional,
Tupi, Mayrink Veiga, nos determinantes e ruidosos programas de auditório.
Eram admirados até pelo pré-ditador Getúlio Vargas. Suas composições vão
para o exterior e pelo menos uma delas "Mamãe eu quero" marchinha de carnaval,
teve inúmeras gravações fora do Brasil chegando a fazer parte até da trilha
sonora de filme americano. Mesmo com o ritmo e a idéia inicial da canção,
alterada era a Baixada, o Brasil invadindo sonoramente o mundo.
Parte do sucesso desta dupla e de outras de menor expressividade, deve-se,
também, ao advento do rádio no Brasil, que tinha a mesma força da televisão
atual, com suas novelas e programas populares. Na Baixada além dos serviços
de alto-falantes instalados em algumas comunidades, as rádios Solimões
de Nova Iguaçu e Difusora de Duque de Caxias agregada ao jornal Luta Democrática"
ambas de propriedade de Tenório Cavalcante, foram decisivas para a descoberta
e confirmação do talento de artistas e desconhecidos.
O Teatro naquele momento passa por transformações, novamente tendo como
ponto de partida o Rio de Janeiro. A semana de Arte Moderna em 1922, a
geração Trianon por 4 décadas da lª metade do século, as Companhias de
grande Atores e a explosão da dramaturgia da obra de Nelson Rodrigues
possibilitam e induzem a um maior interesse pelas artes cênicas. Era comum
a prática do teatro amador em quase todas os bairros do Rio de Janeiro.
Um teatro calcado na experiência das primeiras companhias pré-profissionalização
cariocas, vem para a Baixada com grupos que sem espaço próprio, se reuniam
após o jantar, ou nos fins de semana, nas casas de famílias fluminenses
com organização próxima ao de um clube de futebol, com presidente, diretor,
atas de reuniões, caixinha financeira e uma mistura eclética de todas
as classes sociais. Os espetáculos tinham poucas apresentações, com representações,
mais constantes nos palcos de clubes e o resultado artístico, visto com
os olhos de hoje, era discutível, mas plantavam semente, que renderiam
bons frutos, futuramente. Cito alguns nomes, muitos deles em plena atividade,
como Lais Costa Velho, Elizabeth Sander, Edson Alvaredo, Barbosa Leite,
Elcio Giuponni, Armando Mello, Francisco Rodrigues, Edegar Silva e outros,
ressaltando que em dose projetiva menor tem a mesma importância de nomes
como Conchita Mascarenhas, Procópio Ferreira, Margarida Max, Jaime Costa,
Dulcina, Dercy Gonçalves, Ernani Fornari, Gastão Tojeiro, Eduardo Viana,
Abigail Maia (artistas cariocas) para implantação de um teatro mais oficial
na baixada.
Caminhando para década de 60, encontra-se o teatro de que os citados acima
tinham sido precursores, se acentuando com mais intensidade. A juventude
pré-revolução era de 60, era inquieta e grupos teatrais vão se formando
ligados a maioria deles às escolas de currículo convencional ou
clubes.
Havia uma busca de renovação e uma conseqüente necessidade de espaços
cênicos para efetivarem suas experiências. Os costumes e os comportamentos
eram outros que se tornavam um desafio para artistas iniciantes, que ousavam
vencer barreiras por parte da geração antiga, que via tudo que era novo
com um certo temor. Era um período de ensaio das grandes manifestações
que iriam eclodir na década posterior.
De uma forma primária surgiram os primeiros festivais de teatro amador
e a competição ficaria acirrada diante do surgimento de diversos grupos.
Os colégios Afrânio Peixoto em Nova Iguaçu e o Casimiro de Abreu em Duque
de Caxias e a AJA (Associação de Jovens Amigos) da Igreja Santo Antônio
em Duque de Caxias, também foram decisivos para criação de espaços cênicos
oficiais. Nos dois colégios citados eram improvisados palcos e platéias
e em pouco tempo as montagens teatrais já ultrapassavam o público colegial
se estendendo para espectadores da comunidade.
Na Igreja de Santo Antônio em palco do salão de festas da diocese as experiências
se sucediam, num grupo formado por jovens estudantes em 1962, iniciei
minha trajetória artística como diretor do grupo do colégio Casimiro de
Abreu e da AJA.
Em outros colégios dos municípios a movimentação acontecia levando aos
novos artistas a luta por um teatro/prédio que lhes possibilitasse o desenvolvimento
dos seus trabalhos. Surge, então o Teatro Municipal Armando Mello, no
Shopping Center de Duque de Caxias (lº teatro e lº Shopping), órgão da
Secretaria de Educação da Prefeitura Municipal. Primeiro administrado
pelo poeta, dramaturgo e jornalista Laís Costa Velho que fez um projeto
de criação de platéia com espetáculos grátis patrocinado pela própria
prefeitura. O projeto durou só l ano, mas deu bons resultados. A Segunda
administração foi da Prof. Terezinha Carminatti, da qual fui assessor
técnico durante 10 anos, realizando pela primeira vez, cursos de teatro
na Baixada (era início dos anos 70) e dando oportunidade a surgimento
de novos valores nos mais diversos compartimentos: artes plásticas, música
e teatro. Eram constantes as galerias de artes plásticas de onde saíram
os que são agora, grandes pintores de renome internacional.
Em nova Iguaçu surge dentro da Academia Iguaçuana de Letras, no centro
do município, o Teatro Arcádia . Que com os trabalhos cênicos e administrativos
dos artistas Celso Mosciaro (vivo) e Roberto Brito (falecido) deu grande
alento a vida teatral daquele município. Lá se realizavam cursos, teatro
infantil e, muito dos atores formados no Arcádia, cresceram nas artes
e encontraram seus caminhos da educação, na música e na animação cultural.
A partir da década de 90 o Teatro Arcádia foi desativado e o Armando Mello
comentarei mais tarde.
O restante da década de 60 consolidaria as expectativas de seu início.
Após a revolução de 64 as dificuldades aumentaram com a repressão que
marcaria o país, depois do AI-5, em 1968. Só que paradoxalmente foi na
década posterior que as artes adquiriram maior relevância nas mais diversas
áreas tirando, em parte, o estigma negativo da Baixada levando os desinformados,
desinteressados ou preconceituosos a reconhecer que Nilópolis, São João,
Nova Iguaçu e D. de Caxias eram celeiros de grandes talentos esperando
seu grande momento. Os movimentos de base sindical, os diretórios acadêmicos
ligados às faculdades e universidades foram marcantes na composição
de uma ação resistente que juntava arte e engajamento político.
Uma imprensa atuante e reivindicadora permanecia atenta e jornais que
mantiveram esta postura foram "O Fluminense " editado e com sede em Niterói
que tinha caderno de reportagens sobre a Baixada, "Hoje " de Nova Iguaçu,
"A Folha da Cidade " e "O Municipal "de D. de Caxias. O jornalista Carlos
Ramos, falecido, que transitava com sua coluna social e de cultura pelos
mais diversos jornais é figura que não pode se esquecer porque foi responsável
pelo surgimento de grandes artistas. Sob sua organização foram realizadas
diversas galerias de artes plásticas com sucesso sempre, fosse nos clubes
ou no hall do teatro Armando Mello. Nestas galerias foram revelados pintores
famosos pelo mundo todo. Artistas do porte de Messias Neiva, Marcos Bonfim,
Romanelli, Maria do Carmo Fortes, Barboza Leite, Rodolfo Ardlt naquela
ocasião mostravam seus primeiros quadros.
Foi também o tempo dos músicos da Baixada influenciados pelos festivais
de M.P.B que se promoviam em todo Brasil e que revelou Caetano Veloso,
Gilberto Gil, Milton Nascimento. Estes festivais eram reproduzidos quase,
que, mensalmente, durante o ano todo organizados em clubes, faculdades
e escolas. Compositores e cantores como Canthidio José, Chiquinho Maciel,
Edu Costa, Beto Gaspari, Marcelo Ferreira, Ricardo Barbieri, Loura, Rita
Alves, Rodolfo Barros que continuam com seu trabalho musical.
Na efervescência do período os grupos de teatro mantinham um trabalho
fecundo, baseado na resistência e num certo engajamento político servindo
de trincheira na guerra contra a ditadura vigente. A temática dos espetáculos
se voltava sempre a denunciar o protesto embalado por uma representação
espontânea, sem técnica, onde importava mais o que dizer (mesmo que metaforicamente)
do que como dizê-lo. O grupo TINI de Nova Iguaçu foi o exemplo de um teatro
participativo ao nível de idéias e interativo no contato com o público
em favelas, clubes, escolas e associações de moradores. Capitaneado por
Celso Mosciaro e pelo saudoso grande ator diretor Marco Mirelli, o grupo
se uniu a outro grupo de São Paulo, o "Olho Vivo" de São Paulo dirigido
pelo dramaturgo César Vieira e realizaram a montagem fluminense "Rei Momo"
da autoria do teatrologo mencionado. De qualquer maneira independente
da censura e da vigília alguns órgãos oficiais driblavam a repressão e
o autoritarismo criando oportunidades de trabalho para diversas companhias
de teatro na Baixada. A Secretaria Estadual de Educação, sob o comando
do dramaturgo e diretor carioca, Paulo Afonso Grisolli que criou "O Pacote
Cultural" que consistia em levar arte e diversão ao povo, principalmente,
os menos favorecidos culturalmente e financeiramente. O projeto dava toda
infra-estrutura necessária e pagava cachê por apresentações ou números
de apresentações.
Em Nilópolis pouca coisa acontecia, provavelmente, pela ação censora dos
interventores indicados pelo Governo Federal que substituíam os prefeitos
já que as eleições estavam suspensas até o fim do AI-5. São João de Meriti
já ensaiava alguns movimentos de teatro e música que teria seu ápice na
década de 80 com o aumento das opções culturais e a construção do Teatro
do Sesc.
O teatro em D. de Caxias, permanecia forte e vigoroso com o grupo Arte
e Voz, dirigido por Francisco Fernandes, e, este que vos fala , com as
montagens anuais de celebração do fim de cada etapa dos 11 cursos de Informação
Teatral, ministrados no Teatro Municipal Armando Mello. Neste teatro foi
onde se reuniram atores experientes, atores anônimos recém-formados da
Escola de Teatro Martins Penna, do Rio de Janeiro, atores iniciantes,
criando o grupo T.A.L que montou o texto de David de Medeiros, "Sacos
e Canudos", pois foi este espetáculo que em maio de 1978, a voz do locutor
Cid Moreira anunciava no Jornal Nacional da TV Globo como vencedor na
categoria especial do Prêmio Moliere / 77 instituído pela companhia aérea
AIR-FRANCE, homenageando os melhores profissionais de teatro da temporada
anterior à premiação. Junto com o grupo ganharam : Fernanda Montenegro,
melhor atriz; José Wilker, melhor ator e João Neves, dramaturgo e diretor.
Era D. de Caxias e por que não , a Baixada citada no Jornal Nacional sem
mencionar, miséria , violência ou pobreza. No elenco do grupo T.A.L :
José carlos de Souza, Jane Thomé, Eve Penha, Ivan Pereira, Sidney Alves,
Rosana Muniz, Paulo Renato, Oswaldo José Marcilio Barroco e Ediélio Mendonça.
O grupo balançou as estruturas do teatro tradicional carioca com sua irreverência,
alegria e anti estrelismo. E na dúvida entre amador ou profissional, os
críticos convencidos do talento nato daqueles principiantes, classificou-os
de grupo não-empresarial. Alcunha que 2 anos depois vai acompanhar a menção
a novos grupos que irão surgir.
E foi com o grupo T.A.L e o espetáculo "Sacos e Canudos" que em setembro
de 1978 é inaugurado o teatro Sesc de São João de Meriti. Em seguida,
temporada de 2 meses somando quase 12 mil espectadores, muitos deles que
nunca tinham assistido a uma peça ou entrado em um teatro.Com sua boa
localização ( entre S. João e Pavuna ) e grande aparato técnico e administrativo,
o teatro do Sesc preencheria os sonhos dos artistas em geral, já que os
teatros em D. de Caxias ( Armando Mello, Procópio Ferreira - na Câmara
Municipal ) eram úteis, mas fornecia pouco espaço e má localização como
o primeiro, ou pouca condição técnica como o segundo.
Com este "boom" dos anos 70 que merecia um estudo à parte, entra-se
na década de 80, com cultura na Baixada sendo mais operante. É o tempo
da ascensão, que permanece até os dias de hoje, não obstante o impasse
natural que a sociedade, como um todo sofre a cada fim de século. A Zona
Sul passa a descobrir a Baixada. Primeiro com a profissionalização das
escolas de samba, tendo por parâmetro a subida vertiginosa da Beija Flor
de Nilópolis, através do trabalho de sua comunidade e a presença do cenógrafo
e carnavalesco Joaõzinho Trinta. Forma-se, então, o trio das grandes da
Baixada: a já citada, Unidos da Ponte em S. J. Meriti; e Grande Rio em
D. de Caxias. Os cultos afro-brasileiros passam a ser valorizados e era
comum descobrir a cada fim de semana caravanas de espectadores, adeptos
ou curiosos comparecendo às festividades dos terreiros de Umbanda
e Candomblé. Livros de estudiosos sobre o assunto são lançados. Culminando
agora, em 1998, com o lançamento do livro da Mãe Beata de Iemanja, de
São João de Meriti, sobre a religião Iorubá no Central Park de Nova Iorque.
A culinária e as feiras livres vão sendo descobertas pelos cariocas e
moradores da Baixada. "O Feijão do Januário", no bairro Centenário, em
D. de Caxias e a feira dominical são comentados e recomendados em toda
imprensa estendendo-se esta divulgação por todo Brasil.
Os projetos culturais são desenvolvidos e grupos de teatro são formados,
permanentemente nos 4 municípios e a preocupação de arregimentar novas
platéias une teatro/escola que seria o grande sustentáculo dos artistas
que emergiam em grande profusão.
O patrimônio histórico passa a ser pesquisado e estudado com tombamento
de igrejas, prédios antigos e fazendas do tempo do Brasil colonial e do
Brasil Império.
Nos bairros os grupos musicais florescem, alguns para amadurecerem como
profissionais de qualidade motivados pelo samba e pelo movimento, de grande
importância, quando ordeiro e disciplinado, do reggae e do funk.
Outro acréscimo ao desenvolvimento de uma cultura mais moderna foi a criação
dos CIEPS em horário integral, em 1985. Um espaço alternativo que através
dos professores e animadores culturais desenvolveria um trabalho voltado
para o povo, integrando educação e comunidade.
Em 1990 é inaugurado a 1ª secretaria de Cultura da Baixada, em D. de Caxias,
atendendo a reivindicação antiga de desmembramento da junção educação
e cultura. A Secretaria tem em seu organograma, o teatro Armando Mello,
a Biblioteca Gastão Reis, o Museu Histórico e a Oficina de Arte Plástica
Barboza Leite. Em S. João, através de sua prefeitura, cria-se o Centro
Cultural Meritiense. Em Nilópolis a iniciativa privada produz arte voltada
para outras áreas fora do samba. Em Nova Iguaçu, núcleos de Cultura se
espalham, movimentando, conscientizando e dando oportunidade artística
a todos.
Também convém assinalar e destacar a contribuição do Teatro Procópio Ferreira
da Câmara Municipal de D. de Caxias, que desde 1983 tornou-se um aglutinador
de diversas tendências artísticas da Baixada e adjacências.
E por último as instituições como SENAI e SESI que por intermédio dos
seus espaços cênicos, cursos, quadras de esporte, piscinas e promoções
culturais se incorporaram aos que tentam e resistem para manter viva a
cultura na Baixada.
Perspectiva para o próximo século???
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