
Marco inicial da colonização no Vale do Rio Iguaçu, a fazenda São Bento originou-se nas terras doadas pela Marquesa Ferreira ao mosteiro de São Bento, em 1596. Esta herdeira era a viúva de Cristovão Monteiro, primeiro proprietário das sesmarias ofertadas por Estácio de Sá no ano de 1565, em terras hoje pertencentes à cidade de Duque de Caxias.
Neste local, os monges Beneditinos fizeram erguer inicialmente uma capela dedicada a Nossa Senhora das Candeias. No século XVIII, as terras passaram para as mãos da irmandade de N. Sra. do Rosário dos Homens Pretos.
Com relação à Ordem Monástica dos Beneditinos, assim se expressa a Revista do Instituto Histórico, vol. 142, p. 107: "Não sei quem primeiro entre os nossos historiadores identificou aqueles frades brancos franceses como monges beneditinos e os localizou nas vizinhanças do rio Iguaçu. Até hoje ninguém levantou dúvidas a respeito do lugar deste estabelecimento religioso; apenas houve leve divergência de opinião sobre a Ordem monástica a que deviam ter pertencido aqueles (frades brancos), segundo Machado de Assis e Vieira Fazenda, os consideravam monges de S. Bernardo, isto é, cistercienses, enquanto Rocha Pombo, simplesmente os teve por beneditinos. Tendo-se a lembrança que os cistercienses apenas formam um grande ramo da grande família monástica de São Bento. Por outro lado, sabe-se que até hoje todos os monges beneditinos que se acham como missionários nas zonas tropicais vestem-se de branco".
Como afirmava Anchieta: "traziam aqueles frades brancos os meninos do gentio vestidos com o seu hábito". É instituição com origem medieval, com presença nos Mosteiros de São Bento na França e Abadia de Cluny, com prescrição de que os meninos não só andassem vestidos como monges, mas ainda que o abade poderia conceder-lhes o próprio uso de cogula monacal, como afirma D. Rafael Riepenhoff em sua tese doutoral.
A casa grande foi construída anexa à capela, entre l754 e l757, constituindo um convento para abrigar padres em descanso ou afastados do sacerdócio. Era também sede da grande fazenda de São Bento, cuja atividade econômica baseava-se na produção de farinha de mandioca e na fabricação de tijolos.
O Prof. Ruy Afrânio escrevendo sobre a invasão francesa no Rio de Janeiro sob o comando de René Du Guay-Trouin em 1711, nos fala da presença de fugitivos da cidade do Rio de Janeiro que vieram acampar nas terras de Iguassú. Dias após a invasão, chegaram sob o comando do governador de Minas, Antonio de Albuquerque, uma tropa com 6.000 homens em armas, que ficaram alojados na Fazenda São Bento de Iguaçu e terras adjacentes que seriam mais tarde a Vila de Iguassú e terras da Fazenda do Brejo, atual Belford Roxo.
O terreno foi desapropriado em 1921 para sediar uma colônia agrícola.
Em 1993, a capela desabou e hoje, em ruínas, funciona precariamente em parte do casarão o Patronato São Bento, com apenas uma escola primária e algumas oficinas de trabalho escolar mantidas pela Diocese de Duque de Caxias.
A importância religiosa, cultural e por não dizer econômica, que representou a Fazenda e Mosteiro de São Bento para as pragas da Baixada Fluminense, torna-se aos nossos olhos e sentimentos pátrios um crime extremamente trágico e hediondo ao patrimônio e à memória do povo da baixada. Esta obra monumental ao lado de outras que se foram, com certeza há de ficar na consciência nossa e daqueles que hão de vir como uma lembrança do pouco caso que temos para com os nossos antepassados. Choramos e vertemos lágrimas a seus túmulos, horas após já não lembramos que eles existiram, é pura hipocrisia. Um povo sem memória está destinado a cometer os mesmos erros de seus antepassados, quem sabe, padecer na ignorância, nas trevas até que alguém nos solte as algemas, como dizia Platão em sua Alegoria da Caverna.
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