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Baixada Fluminense |
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Hino
da Cidade de São João de Meriti DESEJANDO,
A LEI, CONCEBER O PROGRESSO REFRÃO SÃO
JOÃO DE MERITI É O NOME DA TERRA QUE LOUVAMOS SOBRE O CHÃO
DOS "TAMOIOS" VIROU "FREGUESIAS" QUE TEU CEU
GUARDE O VÔO DA SÃ LIBERDADE
Hino
de São João de Meriti - O processo e o ato de criação Em
1997 São João de Meriti completava seu Jubileu de Ouro,
meio século de existência. Nosso chão foi palco, ao
longo do tempo, de inúmeras lutas contra a natureza e dos homens
entre si. Não nos destacamos somente durante o período de
liberdade política a partir de 1947. Nossa história é
rica de conteúdos e recheadas de glórias de um povo que
pensa, trabalha, luta e realiza. São João Batista de Meriti
é um símbolo de resistência no portal da Baixada.
Pela Portaria nº 2018/97-SEMAD de 17 de Setembro de 1997, o Prefeito nomeia uma Comissão formada pelos senhores Leonardo Filgueiras de Carvalho, Jorge Luiz Magalhães, Jorge Antonio da Silva Paula, Charbel Eduardo Daher Chedier e Nelson Garbayo dos Santos. Estabeleceram-se as regras do Concurso por um Regimento Interno, para o prêmio e a linha de conteúdo da letra, ficando livre a música. As inscrições ficaram abertas do dia 01 a 15 de setembro, para os músicos e poetas da cidade. No dia 28 de setembro a Comissão Organizadora fixou o Calendário das etapas para escolha do Hino: Dia 03 de outubro às 10 horas – Ensaio Geral; Dia 04 de outubro às 09 horas – Fase Classificatória e dia 11 de outubro às 16 horas – Fase final com proclamação do vencedor. Todas estas fases foram realizadas no Átrio da Câmara Municipal. A Comissão Organizadora recebeu os envelopes lacrados e rubricados pelos próprios concorrentes que foram abertos no dia da primeira etapa, na presença dos concorrentes. Participaram do Concurso 17 músicas na primeira etapa em 04 de Outubro. Para a Comissão Julgadora da primeira etapa foram convidados o Historiador Guilherme Peres e as Professoras de História Ambrosina Rodrigues Fernandes e Vera Lúcia Xavier; os Professores de Português/Literatura Heliodoro Celestino de Barros e Marisa Azevedo Catarino; as Professoras de Música Helenita Gomes de Oliveira, Haydêe Oliveira Alves; o representante do governo e Secretário de Promoção Social Cícero Augusto Souza Costa; representante da Câmara Municipal o Vereador Jorge Florêncio; do Rotary Club de São João de Meriti, José Antonio da Purificação; da Associação Comercial, Sra. Elza Silva. Foi de vital importância a coordenação técnica do Maestro Jorge, quanto a orientação do arranjo musical, para que não prejudicasse cada concorrente. Ao Piano, para acompanhar os candidatos, estava o Pianista Sr. Alexander Magno dos Reis. Para a etapa final do dia 11 de outubro ficaram classificadas 8 músicas, de autoria dos senhores Adré Luiz da Silva Rosa, Ezequias Costa de Amorim e Luciene Rocha de Amorim, Cláudio Aragão da Guia, José Altair de Morais e Daniel Soares Santos, José Messias de Alburquerque Vasconcelos, Livingstone Pinheiro de Rezende, Oldair Lima, Ney Alberto e Eloir. A Comissão Julgadora da fase final ficou assim formada: Julgando Música – A Musicista e Prof. Lucília Guedes de Carvalho, do Conservatório de Música de São João de Meriti; Professor Carlos Eduardo Azevedo, da Escola de Música Vila Lobos; Professor Carlos Eduardo Schroeter, diretor do Projeto Linguagem Artística do Departamento Geral de Educação da Secretaria de Educação da Cidade do Rio de Janeiro. Julgando Poesia – Professora de Música, Irmã Leonarda Rodrigues de Souza, do Colégio Santa Maria; Professora Zely Coutinho da Silva Cunha, Professora de Português, da Escola Nacional de Belas Artes; Professor e Historiador Gênesis Pereira Torres, Vice-Presidente do Instituto Histórico e Geográfico de São João de Meriti e Coordenador da Comissão de Resgate da História; Professor e Historiador Armando Valente, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Meriti; Professora Maria de Lourdes Pimenta, da rede Estadual de Ensino; Maestro Francisco de Oliveira, diretor da Banda de Música de São João de Meriti; Rute Camargo Borges, Administradora de Empresa e Secretária Municipal de Administração; Gildo Gonzaga, vereador Municipal e representante da Câmara. Teve como Presidente da Comissão a Professora e Musicista Maria das Graças Gomes Neves. Saiu vencedor a letra e música de autoria do Sr. Livingstone Pinheiro de Rezende, num total de 120 pontos - recebeu 102.2. A Comissão Julgadora formada por cidadãos de ilibada formação intelectual e moral, teve a grandeza de descobrir na letra e música de Livingstone os princípios que estávamos procurando. Seus versos simples, em estrofes compactas, souberam explorar a linguagem gentílica, cheios de um simbolismo enaltecedor dos valores da terra e sua gente. Para proclamar o vencedor foi formada mesa para solenidade final com o Prefeito Antonio de Carvalho, o Presidente da Câmara, Vereador Cláudio Lacerda e o Secretário de Cultura, Esporte e Lazer Leonardo de Carvalho. O Prefeito proclama o Hino vencedor e a seguir é cantado pelo próprio autor às 19:00 do dia 11 de Outubro de 1997. Ao encerrar a sessão, todos participaram de um coquetel servido a seguir. Perfil Biográfico do autor Livingstone Pinheiro de Rezende, filho de Wesley Ernesto de Rezende e Rosa Maria Pinheiro de Rezende. Nasceu em 20 de fevereiro de 1977, no Bairro de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, tendo sido registrado em São João de Meriti, onde sua família sempre residiu, tendo, inclusive, sua bisavó adquirido propriedade em Coqueiros (hoje Vila Tiradentes), no início da ocupação daquele importante bairro. Logo após, Livingstone mudou-se para Cabo Frio, fixando-se posteriormente moradia definitiva em Meriti. Estudou 1º e 2º Graus em Escolas da Pavuna e São João de Meriti, tendo concluído o Curso Secundário de Eletrônica. Freqüentou o curso superior de Jornalismo por algum tempo, desistiu e, atualmente, está cursando Direito. Trabalha em casa como autônomo, no ramo de eletrônica. Gosta de música erudita e popular brasileira; como passatempo, compõe música, tendo algumas, as quais guarda com carinho. Escreve também contos e romance. Seu lazer preferido é o xadrez. Interpretação Os 1º e 2º versos da 1ª estrofe: “Desejando
a Lei, conceber o progresso. De ver o sol renascendo maior” buscou
o autor logo na primeira estrofe falar da Lei de nº 6, de 11 de Agosto
1947, Projeto nº 132/47 de autoria do Deputado Lucas de Andrade Figueira.
Teve tal lei no seu preâmbulo e artigo lº o seguinte: “A
Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro decreta e eu
sanciono a seguinte lei: O 3º, 4º, 5º e 6º versos da 1ª estrofe: “Fez ir ao berço da mãe gentil São João transformado em cidade. Do passado é memória na história presente. Para tecer um futuro melhor. Continuamente nosso dever é guiá-lo crescendo e avante”. O Distrito busca a proteção da mãe maior, a nação, e a adjetiva de gentil, pela bondade; afinal, a nação-estado, o Brasil, é a mãe de todos os municípios emancipados, dando-lhes sempre apoio e proteção. As lutas do povo estão sempre na sua memória, e ele está construindo o seu momento histórico. A noção de tempo não é perceptível nas lutas do povo, todo momento é história. No ideário de cada cidadão meritiense está a noção que o futuro tem que ser sempre melhor, seus sentimentos são sempre alimentados de esperança. Termina afirmando, no imperativo, de que é nosso dever traçar os rumos de nosso futuro, com desenvolvimento e progresso, sempre avançando. Refrão “São João de Meriti é o nome da terra que louvamos. O povo meritiense com áureos lauréis honramos . Se tiver que partir eu irei onde a vida decidir. Mas em meu coração levarei a bandeira de Meriti” O refrão é um canto e um tributo à terra. Os sentimentos do amor, do bairrismo e da terra não tem defeitos. Suas montanhas, seus vales, suas belezas naturais, hoje destruídas pelos homens, apesar de tudo, têm de ser louvadas. Ao povo meritiense, pela sua luta na sobrevivência do dia a dia, por ser magnífico, nobre e valioso, é comparado ao metal mais raro - o ouro ou à pedra mais valiosa, que brilha permanentemente, d’ai o merecido prêmio de louvor, de aplauso e toda a honra. Não devemos nos esquecer que, neste espaço territorial e contexto geográfico, o município tem suas características históricas próprias. Sua cultura é forjada no labor diário, em todas as atividades humanas. O homem que nasceu neste espaço territorial, constrói valores culturais e éticos no seio da família, na rua, no bairro e da reunião destes elementos, a cultura citadina. No entanto, este homem pode buscar na sua vida adulta novos mundos, já culturalmente pronto, ele parte, mas leva consigo os ideais culturais da terra, simbolizados na Bandeira, que é a representação de sua terra. Ali estão as cores e o brasão. Na nova terra estará sempre presente as lembranças da terra mãe, onde foram forjados a sua cultura. 2ª estrofe “Sobre o chão dos “Tamoios” virou “Freguesias”. Nas sesmarias de “Iguassú”. A produzir finas iguarias levadas nas águas do rio. Tal labor construiu sobre tua presença. Templos à pura e exata razão. Enaltecendo a doce emoção de quem ama, trabalha e pensa”. Nesta estrofe faz um retorno à história dos primeiros tempos, quando esta terra era habitada pelos índios Tamoios. Chegaram os portugueses, ocuparam a terra, fundaram igrejas e transformaram em freguesias, que era um distrito religioso. Faz-se a colonização, e passa a doar terras àqueles que ajudaram neste processo - pelo instituto das sesmarias - de medições variáveis de acordo com aqueles que a recebiam. Os séculos passaram, produziam nestas terras a cana-de-açúcar, aguardente, o feijão, o milho, o arroz , a mandioca e a farinha, todas levadas por uma dezena de portos às margens do Rio Meriti. No Rio Iguassú no século XIX é escoada a produção de café do vale do Rio Paraíba e tudo que se produzia no interior do Brasil. O que chegava da Europa para atingir o interior por ali também passava. O Rio Iguassú virou o mais importante porto fluvial na primeira metade do século passado. No local nasce um próspero aldeamento, ganhando status de Vila em 1833, e Meriti, sua importante freguesia, acabou virando, após a Proclamação da República, em 1919, seu 4º Distrito. Neste labor está implícito todo o processo de construção, que passou pela Freguesia, Distrito e depois, finalmente, o Município.
Destaca-se que a construção do município deve ser
produto de homens em toda a sua completude, um homem que pensa, sente
e trabalha. O templo é a sacralização da razão
humana, mas o homem não é só razão, também
é emoção e perfeição. A cidade e seu
progresso é fruto dos homens que buscam a liberdade, a ética,
a justiça e o amor ao próximo. “Que teu céu guarde o vôo da sã liberdade. E que teu solo a permita correr. Fartas virtudes possam chover sobre nossa querida cidade. Pois ao imaginar não haver mais saída. Quando a luz do final se apagar. Quero chorar do amor que te sinto ao ver teu brasão ascendendo” Neste momento, o autor dá seu grito a favor da liberdade, como um dos maiores valores do homem, sem a qual ele não pode realizar-se como ser único. É contra a ditadura e todas as formas de opressão e violência. Enaltece a liberdade como algo concreto e a chama de sã liberdade, vê que este valor não pode ser usado para destruí-lo. Nunca confundir liberdade com libertinagem, com perseguição, tortura, proveito próprio, sufocando o seu irmão. A cidade precisa de todos nesta luta de construção dos valores e da cultura. O espírito de liberdade tem que fluir com naturalidade, todos têm um papel a seguir e com um só objetivo: o progresso da cidade. Que teu solo permita correr, evocando todos os espaços, inclusive o aéreo. Se assim agir os homens, com certeza a cidade receberá muitas virtudes, que serão fartas e terá espaço para todos. Porém, se nada disso acontecer por razões exógenas, vindas da natureza como doenças, epidemias, catástrofes e ou calamidades ou por razões endógenas provocadas pelo próprio homem como corrupção, desmandos, falta de amor aos seus valores e símbolos gentílicos e pátrios, não havendo mais luz em sua caminhada de construção e a cidade estiver fisicamente, culturalmente e moralmente destruída, devemos ter em mente que nos resta chorar pelo amor que temos por ela. Porém, se estivermos empenhados em reconstruí-la, o autor evoca o símbolo maior do município - o Brasão - que é a síntese física e concreta da história da cidade. Este homem cheio de amor pela cidade, e em transe, vê o Brasão ressurgindo e iluminando, saindo da escuridão e guiando a cidade. Neste momento a cidade vai se levantando das cinzas e sua história se recompondo. Na realidade, mesmo que a luz se apague, o Brasão se acenderá, pois ele é mais forte que os homens, ele é o ideário de toda uma construção do povo ao longo da história. Assim haverá sempre possibilidade de se erguer, porque o amor e o trabalho tudo constroem. Que este labor seja real e verdadeiro, dentro do espírito de liberdade. Para o autor, o hino da cidade “é a obra que mais ama e que sua composição foi um grande esforço de tributo à terra que ele tanto quer bem”. |