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Na Capela
dedicada à Nossa Senhora sob o título especioso da Piedade,
que o Sargento Mor João de Antas fundara no monte próximo
ao mar da enseada, e distante da Cidade 7 a 8 léguas, assaz conhecido
pelo nome Piedade Velha, se criou a Freguesia denominada Nossa Senhora
da Piedade no distrito de Magépe (76) sob o apelido de Capela Curada.
O Santuário Mariano, que dela fez menção no T.10
Liv. 1 Tít. 18, por ignorar talvez o ano da sua criação,
deixou de referi-lo; e nenhum documento existe hoje, por onde se possa
fixar a sua origem com certeza, alem da informação da visita
do Dr. Araújo em 1737, concebida assim = Esta igreja foi ereta
há oitenta e tantos anos; e desde a sua criação foi
Curada; e há quarenta anos, pouco mais ou menos, que é colada...
e está esta igreja de posse de todo o monte, em que está
situada, e nele planta o Vigário, e se faz casas para romeiros,
sem contradição alguma; e querendo-lhe fazer os Reverendos
Padre do Carmo, cederam à vista de uns documentos, que o Reverendo
Vigário apresentou ao ilustríssimo Senhor Bispo D. Francisco
de S. Jerônimo o qual se presume que os mandaria apresentar ao Reverendo
Provincial do dito Convento do Carmo; e é o dito monte livre e
desembaraçado de todo o foro e pensão = (77). Confirmaram
esta notícia as disposições testamentárias
de muitos falecidos antes de 1657, deixando legados ao Orago do Templo,
e para as suas obras, como se descobre nos assentos e declarações
do Livro dos óbitos da Freguesia começando em 1668, pelo
motivo ponderado já em outro lugar (78).
Subsistiu a Igreja Matriz na situação primeira, enquanto
a decadência de seus materiais não obrigou a desampará-la,
e acrescento a isso a incapacidade do porto para carregar os efeitos das
lavouras e embarcá-las livremente e o detrimento notável,
assim do Pároco, na administração dos sacramentos
e fregueses estabelecidos nas extremidades da Paróquia, como dos
paroquianos, necessitados de remédios prontos nos artigos últimos
de suas vidas, e de levar ao batismo os inocentes recém-nascidos
por caminhos longos; tudo concorreu para se meditar a fundação
de um novo templo em lugar distante uma légua do primeiro, cujo
terreno assaz apto oferecia cômodos muito superior ao povo. Para
esse efeito doou. Para esse efeito doou D. Joana de Barros, viúva
do Capitão Inácio Francisco de Araújo, 50 braças
de terra quadrada ma paragem chamada Caminho Grande da sua fazenda de
Magépe Mirim, por escritura celebrada da Nota, onde serviu o Tabelião
Inácio Miguel Pinto Campelo, e lançada a foi. 67 do livro
principiado de 1747 a 1748, a cuja doação se uniram as de
outros sujeitos, por Escritura de 21 de dezembro de 1754 lavrada na Vila
de Santo Antonio de Sá. Conseguindo o terreno e obtida a licença
do Bispo para se fundar a nova Igreja pela Provisão de 10 de agosto
de 1748, (77) se lançaram os alicerces, e concluída a Capela
mor com paredes de pedra e cal, no fim do ano seguinte, ou princípio
de 1750, foi então mudada a Pia Batismal, e logo ficou esta parte
do templo em uso da Matriz, entretanto que se trabalhava no remate do
corpo da Igreja. Finalizado o edifício em 1751, recebeu as santas
imagens da casa antiga, a qual se demoliu, pela providência do Doutor
João Rodrigues Silva no ano de 1750.
Segundo Vigário o padre Felipe de Siqueira Unhão, renovou
a Capela mor e a Sacristia; e seu sucessor o padre Baltazar dos Reis Custódio,
de novo as formou, construindo de mais o consistório, a torre e
o frontispício. Tem a Capela mor 52 palmos de comprido e 25 de
largo; e o corpo de Igreja desde o Arco Cruzeiro a porta principal, 98
½ palmos de comprimento e 37 ½ de largura. Ornam o interior
desse templo 5 altares, no maior dos quais se adora o SS. Sacramento,
conservado perpetuamente em sacrário, por provisão de 6
de novembro de 1754. O adro em frente da Igreja conta 241 ½ palmos
de extensão e 113 ½ de largura.
Criada a freguesia de natureza coletiva pelo Alvará de 18 de janeiro
de 1696, principou a ter párocos próprios com a apresentação
de 1º padre José Carvalho, que por Carta de 29 de março
de 1697 entrou a servi-la. Sucedeu 2º o padre Baltasar de Oliveira
no ano de 1701, por quem foi deixada da quantia de 200$000 para o patrimônio
da Igreja Matriz, ordenando a seus testamenteiros a entrega pronta deles
ao Prelado, a fim de se porem a juros com toda segurança de fiadores
abonados e hipotecas livres, e de aplicar o produto anual ‘as obras
mais necessárias ao ornato do altar da Senhora da Piedade, cuja
cobrança e despesa cometeu aos Vigários seus sucessores,
com obrigação de dar contas ao mesmo Prelado, ou aos Visitadores
seus Delegados, como consta da Verba do testamento registrado no Liv.
15 dos óbitos da Freg. da Sé fol. 266 verso. Falecido Oliveira
entrou 3º o padre Antônio de Almeida e Silva, por Carta de
11 de novembro de 1749, e confirmação de 19 de janeiro do
ano seguinte; mas permutando a Igreja como o padre José de Oliveira,
Vigário que era da paróquia de S. Salvador de Guaratigbá,
passou este por apresentação de 21 de fevereiro de 1756,
e confirmação de 11 de julho do mesmo ano, a tomar posse
da Freguesia, como 4º proprietário.
Sucedeu 5º o padre Felipe de Siqueira Unhão, por Carta de
2 de abril de 1771, e Confirmação de 6 de novembro seguinte.
Foi 7º o padre Baltasar dos Reis Custódio, por Carta de 9
de dezembro de 1786, e confirmação de 26 de maio do ano
seguinte. É atualmente 8º o padre José Gomes Sardinha
(80).
Com 4 a 5 léguas, ao norte, chega a jurisdição paroquial
à Serra dos Órgãos, onde topa com a Freguesia de
Nossa Senhora da Piedade de Anhum-mirim; e passando os limites da Freguesia
de Nossa Senhora da Ajuda de Aguapeí-mirim, continua sobre a Serra
pelas três Fazendas, que foram de João de Couto e por sua
morte passaram ao Coronel de Milícias José Bento, povoadas
e cultivadas na distância de 4 léguas em quadra, cujos confins
vão ter pelo sertão ao distrito de Cantagalo ao norte. Com
a Freguesia de Aguapeí-mirim, ao nascente, finaliza em 1 ½
légua, e na barra do Rio Magepe termina, ao sul, com 1 légua
de distância. Pelas vertentes dos morros batiza, finalmente, ao
poente, com a Freguesia de São Nicolau de Sururuí, distante
2 léguas. Nesse círculo numere 600 fogos, e mais de 8.100
almas.
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