IPAHB

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Terça-Feira, 16 de Março de 2010.

São João de Meriti


- Nossa Senhora da Ajuda de Guapimirim

- O Barroco na Baixada Fluminense

- Igreja de Nossa Senhora da Piedade de Magepe

- Baixada Fluminense, o processo de ocupação pela fé

- Igreja São João Baptista de Trairaponga

- Igreja de Nossa Senhora da Guia de Pacopaíba

- Igreja de Nossa Senhora dos Remédios

- Capela de São Francisco do Croará

- Igreja de São Nicolau do Suruí

- Igreja Matriz de São João de Meriti

- Igreja de Nossa Senhora da Piedade de Iguaçu - 300 Anos de História

- Igreja de Nossa Senhora da Piedade de Inhomirim

- Igreja de Nossa Senhora do Pilar




Paróquia de Nossa Senhora da Ajuda de Guapimirim
Por Padre Montesano

A Igreja de N. Senhora da Ajuda de Guapimirim foi edificada antes de 1647. Teve como fundadores os irmãos Pedro Gago e Estevão Gago. Ficava próximo ao Rio Sernambetiba. Em 1674 encontramos a devoção a N. Senhora da Ajuda numa outra Capela ‘as margens do Rio Aguapei-Mirim. Em 1713, demolido o templo, a Matriz passou para a Igreja de N. Senhora da Conceição, construída pelo Pe. Antonio Vaz Tavares.
Em 1726, Antonio Pacheco Barreto doou o Outeiro dos Igramixamas, junto ao Rio Guapimirim onde se construiu a nova Matriz, abençoada pelo Bispo do Rio de Janeiro, D. Guadalupe, em visita pastoral no mem de novembro de 1729.
Esta Matriz, foi a sede paroquial onde oficialmente recebeu o alvará de 15 de janeiro de 1755, criando a Paróquia de N. Senhora da Ajuda de Guapimirim. Criação oficial aprovada pela autoridade real, porém eclesiasticamente a Paróquia já funcionava desde 1647.
Esta Matriz ficou em ruínas e em 1907 devido a decadência do lugar, a Imagem de N. Senhora da Ajuda ficou guardada em Magé, depois foi levada para a Nova Vila que receberu o nome de Guapimirim, para a Igreja de São Jorge e no dia 08 de abril de 1956, foi novamente reativada a Paróquia de N. Senhora da Ajuda com o 1º. Pároco Pe. Eugênio Garcez.
Em 1987. o vigário Monsenhor Ildeu Ferreira Malta começou as obras da atual Igreja Matriz, que inaugurou no dia 21 de janeiro de 1990.


 

O Barroco na Baixada Fluminense
Guilherme Peres
É pesquisador e membro do IPAHB

O estilo barroco, nascido na Europa como fruto da contra-reforma religiosa, foi trazido para o Brasil no século XVII, caracterizado na arquitetura e nas artes, com o estilo dinâmico das formas, profusão e sinuosidade dos elementos ornamentais, teve seu esplendor neste país durante o século XVIII.

Refletido nos mosteiros e igrejas das regiões mineradoras, com altares e cantarias esculpidos em pedra sabão, sendo Antonio da Silva Lisboa, o Aleijadinho - o expoente máximo deste estilo, como arquiteto escultor e entalhador -, seguido das pinturas de mestre Ataíde, constituindo-se os dois maiores artistas barrocos do Brasil.

O Rio de Janeiro, com o porto mais próximo a esta região, tendo como rota a Baixada Fluminense, através do Caminho Novo do Pilar e o Caminho do Inhomirim até o Porto da Estrela, não poderiam deixar de receber um pouco desta riqueza na arte barroca, com sua arquitetura, música, imagens, móveis etc. Formando um conjunto de estilos que marcariam época durante o período colonial no Brasil.

Na Baixada Fluminense, a ocupação religiosa iniciou-se com a construção de capelas sem cuidados técnicos e geralmente em taipas de pilão que ruíram à ação do tempo.

Sua substituição em igrejas onde a pedra e a cal tiveram ampla aplicação, as linhas arquitetônicas seguiram o estilo barroco, sem a suntuosidade dos grandes centros econômicos graças à parcimônia do erário real.

Devemos também entender que uma das causas do barroco pouco elaborado na Baixada foi a grande presença da colônia judaica aqui presente, disfarçada sob a denominação de cristão novo a partir da segunda metade do século XVI, devido a atuação do Tribunal do Santo Ofício no Nordeste, com a prisão dos seguidores da Lei Mosaica.

Convertidos ao cristianismo, passando a chamar cristãos novos, esses judeus, adquiriram terras e engenhos com toda a estrutura escravagista, mantendo, porém, sua unidade cultural dentro da comunidade, traduzida em particular pela religião.

Igrejas e capelas erguidas, na sua maioria, em terras de sua propriedade evidencia-se o descuido de uma arquitetura menos elaborada conforme os padrões da época. Entretanto, no seu interior, encontra-se em algumas igrejas como elemento comum, a talha primorosamente executada na madeira, em incontável profusão de formas, exibindo rica ornamentação dourada e policromada, complementando o conjunto de imagens e querubins.

Seu uso mais freqüente é a exposição em retábulos para o culto devocional, seja com invocação principal no trono dos camarins, ou invocações secundárias nos nichos laterais.

Ainda que o ciclo do açúcar tenha criado condições favoráveis ao desabrochar do barroco em toda a costa, foi o ouro, abundante durante o século XVIII, que desencadeou, na única via livre de controle econômico - as igrejas - deixando a marca indelével do barroco nas suas construções na Baixada Fluminense.


Baixada Fluminense, o processo de ocupação pela fé
Gênesis Tôrres
Professor de história, pesquisador e membro do IPAHB

Com a expulsão dos protestantes franceses calvinistas da Baia da Guanabara em 1565, o Governo Português de D.João III, tratou logo de iniciar a colonização das terras da orla da baia, doando terras àqueles que em nome da fé empunhavam a cruz de cristo e ainda possuíam relevantes serviços prestados a Coroa Portuguesa, apoiando nas guerras e ajudando na promoção e na expansão do comércio. O compromisso do Rei com a Igreja Católica Romana era grande. Ao rezar uma missa no momento da posse da terra em 1500, o rei selava o compromisso de, onde quer que o seu poder estivesse, lá estaria a presença da igreja, organizando, orientando, educando, fortalecendo, dando estrutura e até produzindo para o encantamento do reino.

Foi neste espirito de ocupar em nome da fé cristã e católica, que ao expirar o primeiro século de ocupação em torno da Baía da Guanabara, os vales dos rios Miriti, Sarapuhi, Iguaçu, Inhomirim, Estrela, Suruí, Magé, Macacu e Guaxindiba já apresentavam movimentos de ocupação com a cultura de cereais, mandioca e cana de açúcar, cujos primeiros engenhos começavam a fumegar.

A presença das capelas e igrejas numa determinada região demonstrava a importância que aquele território representava perante o poder secular (do Rei) e o poder eclesiástico (do Papa), também chamado de universal.

Igreja São João Baptista de Trairaponga



Até l644 não se tem notícia de ação cristianizadora na região de Meriti, até porque o Brasil esteve sob o domínio da Espanha de l580 a l640. Porém, a partir de l647, durante a prelazia do Padre Antônio Martins Loureiro, a Cruz de Cristo foi erguida no povoado surgido na localidade que então tomou o nome de São João Batista de Trairaponga. Hoje no local encontra-se a Igreja Santa Terezinha, localizada no Parque Lafaiete, no Município de Duque de Caxias.

A pequena Capela serviu como sede da matriz até l660. Com o tempo, o prédio arruinou-se. Por isso, o núcleo social e religioso transferiu-se para a zona portuária, do rio Miriti, onde fora edificada em l708 nova Capela, dedicada à Nossa Senhora da Conceição, por João Correia Ximenes, provavelmente hoje em terras onde se situa a Pavuna.

Monsenhor Pizarro, descreve em meados do Sec XVII e durante o XVIII, as terras da Freguesia de Meriti como sendo aquelas que pela nascente tinha-lhe o mar; ao norte fazia divisa pelo Rio Sarapui com a Freguesia de Santo Antônio de Jacutinga; ao sul pelo Rio Pavuna com a Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação de Irajá; ao poente com a Freguesia de Nossa Senhora do Desterro de Campo Grande pela serra de Jerixinó.

Com o crescimento de uma vila próximo ao Rio Meriti (atualmente centro da Pavuna e do Município de Meriti), mandou-se construir em 1660 uma outra de pedra e cal (na Pavuna), transferindo inclusive a pia batismal, o que demonstraria a importância que este sítio assumia junto ao porto da Pavuna, que naquele momento já contava com uma grande quantidade portos, que escoavam a produção agrícola como o milho, a mandioca, o feijão, o arroz, legumes, o açúcar e a aguardente e ao mesmo tempo recebia os produtos importados, já que a localidade do rio Pavuna e Meriti, além de serem portos fluviais era também o melhor ponto onde se entrava na Baixada pelos caminhos de terra firme, assim funcionava na localidade do Pavuna e do Meriti um verdadeiro entreposto comercial com toda a infra-estrutura com armazéns, trapiches, vendas e hospedarias. Por aqui passaram as pedras, azulejos, santos, móveis, pratarias, e outras quinquilharias que serviriam para ornamentar igrejas e fazendas que se construíram nas freguesias de Meriti, Jacutinga e Marapicu.

Em 1747, às margens do rio Miriti, foi construída nova Igreja, alterando-se sua denominação para Freguesia de São João Batista de Miriti. Como conseqüência desta mudança, o nome da Capela de São João Baptista de Trairaponga é substituído pelo de São João Baptista de Meriti.

Aí teve início uma época de prosperidade acentuada, servindo-se a pequena população, da zona portuária da Pavuna, por onde escoava o produto da lavoura (feijão, arroz, mandioca, milho e cana-de-açúcar). Em decorrência, multiplicaram-se pequenos engenhos e engenhocas, que produziram açúcar, aguardente, farinha de mandioca, milho e arroz.

Igreja de Nossa Senhora da Guia de Pacopaíba



Apesar de ter recebido a natureza de perpétua em 14 de dezembro de 1755, já era citada no Santuário Mariano no início do século XVIII, pois suas obras começadas em 1699 só terminaram ao alvorecer dos anos 1700.

Com a ruína de uma capela, dedicada a Santa Margarida erigida na propriedade de um engenho, os moradores do distrito construíram uma nova igreja “de pedra e cal” dedicada a Nossa Senhora da Guia e mantiveram em uma capela lateral a imagem da santa primitiva, pertencente ao retábulo da ermida.

A Igreja tem uma arquitetura mais elaborada que as capelas da região, composta, além da nave/coro, capela mor, sacristia, torre e alpendre lateral. A fachada lateral destaca-se pela colunas e escadas, segundo uma “tradição de arquitetura religiosa ibérica que pode ser melhor compreendido como herança das fazendas rurais fluminense dos séculos XVIII e XIX”.

A estátua de Nossa Senhora da Guia foi roubada na década de 70 e o mobiliário, de mesmo estilo dos altares colaterais, não existem mais, evidenciando o descaso das autoridades com o acervo de nossa memória histórica.

Igreja de Nossa Senhora dos Remédios

A Igreja de Nossa Senhora dos Remédios construída em 1740, está situada numa pequena elevação, com a frente voltada para o sul e litoral da Baia da Guanabara, na localidade de Mauá, 5º Distrito de Magé, ainda conserva algumas características originais (apensar de modificada) sobressaindo sua silhueta a grande distância na paisagem horizontal dos manguesais.

Além de marcante o sentido vertical de sua arquitetura, a nave (única) côro, capela mor, sacristia e torre sineira, não fogem as características das capelas da região.

Apesar das habitações que vêm ocupando os flancos do morro, que interferem na sua visibilidade, esta pequena igreja, é para nós motivo de orgulho, por ser um raro exemplar do patrimônio histórico de nossa Baixada Fluminense.


Capela de São Francisco do Croará

Construção de 1745, esta Capela de forte influência jesuítica na composição de sua fachada principal, possuindo elementos arquitetônicos de gosto clássico, o que a valoriza. Tem frontão triangular, largos cunhais e cimalhas de grandes proporções.

A torre sineira tem solução de acesso externo em alvenaria e funciona, juntamente com a sacristia, como contraforte da fachada voltada para o mar. Possui um esquema de planta de nave única/coro, capela-mor, sacristia e torre seguem as proporções das capelas da região, com pés-direitos reduzidos, principalmente na sacristia.

A capela tem sua frente voltada para o sul e está situada em um pequeno platô, na localidade de Mauá, 5º Distrito de Magé, onde se encerra a praia de São Lourenço, com uma belíssima visão de toda a Baia da Guanabara.


Igreja de São Nicolau do Suruí



Na Sesmaria concedida a Inácio de Bulhões em 10 de Setembro de 1565, iniciou-se a Fundação da Paróquia de Suruí, que segundo Monsenhor Pizarro deveu-se ao Prelado Loureiro em 1647 com a construção de uma capela dedicada a Nossa Senhora de Copacabana.

Por decadência do templo, mudaram a pia batismal para outra ermida dedicada a São Nicolau, e erguida por Nicolau Baldim no ano de 1628.

Com a ruína desta mudou-se novamente a pia batismal "para outra ermida do mesmo título de São Nicolau fundada por Félis de Proença Magalhães com paredes de pedra e cal, em sítio sobranceiro ao Rio Sururuí."

Destinado a servir de Matriz e ter maior duração começou Proença a retifica-la que "se concluiu depois de seu falecimento em 13 de dezembro de 1710."

Originalmente Suruí, deriva do tupí-guarani, que quer dizer Rio do Sururu (espécie de marisco). Guardando ainda os retábulos do final do século XVIII, incluindo o altar-mor com influência neoclássica, sustenta a imagem de São Nicolau, de origem portuguesa.

As pias da sacristia em mármore lios, batismal e água benta, representam também peças resguardadas em suas originalidades.

Como resultado da reforma ocorrida em 1925, sua torre foi acrescidas em altura e a faixada coberta com decorações florais delicadas, aumentando o corpo da nave, assim como o consistório e o batistério

Igreja de Nossa Senhora da Piedade de Magepe

Na Capela dedicada à Nossa Senhora sob o título especioso da Piedade, que o Sargento Mor João de Antas fundara no monte próximo ao mar da enseada, e distante da Cidade 7 a 8 léguas, assaz conhecido pelo nome Piedade Velha, se criou a Freguesia denominada Nossa Senhora da Piedade no distrito de Magépe (76) sob o apelido de Capela Curada. O Santuário Mariano, que dela fez menção no T.10 Liv. 1 Tít. 18, por ignorar talvez o ano da sua criação, deixou de referi-lo; e nenhum documento existe hoje, por onde se possa fixar a sua origem com certeza, alem da informação da visita do Dr. Araújo em 1737, concebida assim = Esta igreja foi ereta há oitenta e tantos anos; e desde a sua criação foi Curada; e há quarenta anos, pouco mais ou menos, que é colada... e está esta igreja de posse de todo o monte, em que está situada, e nele planta o Vigário, e se faz casas para romeiros, sem contradição alguma; e querendo-lhe fazer os Reverendos Padre do Carmo, cederam à vista de uns documentos, que o Reverendo Vigário apresentou ao ilustríssimo Senhor Bispo D. Francisco de S. Jerônimo o qual se presume que os mandaria apresentar ao Reverendo Provincial do dito Convento do Carmo; e é o dito monte livre e desembaraçado de todo o foro e pensão = (77). Confirmaram esta notícia as disposições testamentárias de muitos falecidos antes de 1657, deixando legados ao Orago do Templo, e para as suas obras, como se descobre nos assentos e declarações do Livro dos óbitos da Freguesia começando em 1668, pelo motivo ponderado já em outro lugar (78).
Subsistiu a Igreja Matriz na situação primeira, enquanto a decadência de seus materiais não obrigou a desampará-la, e acrescento a isso a incapacidade do porto para carregar os efeitos das lavouras e embarcá-las livremente e o detrimento notável, assim do Pároco, na administração dos sacramentos e fregueses estabelecidos nas extremidades da Paróquia, como dos paroquianos, necessitados de remédios prontos nos artigos últimos de suas vidas, e de levar ao batismo os inocentes recém-nascidos por caminhos longos; tudo concorreu para se meditar a fundação de um novo templo em lugar distante uma légua do primeiro, cujo terreno assaz apto oferecia cômodos muito superior ao povo. Para esse efeito doou. Para esse efeito doou D. Joana de Barros, viúva do Capitão Inácio Francisco de Araújo, 50 braças de terra quadrada ma paragem chamada Caminho Grande da sua fazenda de Magépe Mirim, por escritura celebrada da Nota, onde serviu o Tabelião Inácio Miguel Pinto Campelo, e lançada a foi. 67 do livro principiado de 1747 a 1748, a cuja doação se uniram as de outros sujeitos, por Escritura de 21 de dezembro de 1754 lavrada na Vila de Santo Antonio de Sá. Conseguindo o terreno e obtida a licença do Bispo para se fundar a nova Igreja pela Provisão de 10 de agosto de 1748, (77) se lançaram os alicerces, e concluída a Capela mor com paredes de pedra e cal, no fim do ano seguinte, ou princípio de 1750, foi então mudada a Pia Batismal, e logo ficou esta parte do templo em uso da Matriz, entretanto que se trabalhava no remate do corpo da Igreja. Finalizado o edifício em 1751, recebeu as santas imagens da casa antiga, a qual se demoliu, pela providência do Doutor João Rodrigues Silva no ano de 1750.
Segundo Vigário o padre Felipe de Siqueira Unhão, renovou a Capela mor e a Sacristia; e seu sucessor o padre Baltazar dos Reis Custódio, de novo as formou, construindo de mais o consistório, a torre e o frontispício. Tem a Capela mor 52 palmos de comprido e 25 de largo; e o corpo de Igreja desde o Arco Cruzeiro a porta principal, 98 ½ palmos de comprimento e 37 ½ de largura. Ornam o interior desse templo 5 altares, no maior dos quais se adora o SS. Sacramento, conservado perpetuamente em sacrário, por provisão de 6 de novembro de 1754. O adro em frente da Igreja conta 241 ½ palmos de extensão e 113 ½ de largura.
Criada a freguesia de natureza coletiva pelo Alvará de 18 de janeiro de 1696, principou a ter párocos próprios com a apresentação de 1º padre José Carvalho, que por Carta de 29 de março de 1697 entrou a servi-la. Sucedeu 2º o padre Baltasar de Oliveira no ano de 1701, por quem foi deixada da quantia de 200$000 para o patrimônio da Igreja Matriz, ordenando a seus testamenteiros a entrega pronta deles ao Prelado, a fim de se porem a juros com toda segurança de fiadores abonados e hipotecas livres, e de aplicar o produto anual ‘as obras mais necessárias ao ornato do altar da Senhora da Piedade, cuja cobrança e despesa cometeu aos Vigários seus sucessores, com obrigação de dar contas ao mesmo Prelado, ou aos Visitadores seus Delegados, como consta da Verba do testamento registrado no Liv. 15 dos óbitos da Freg. da Sé fol. 266 verso. Falecido Oliveira entrou 3º o padre Antônio de Almeida e Silva, por Carta de 11 de novembro de 1749, e confirmação de 19 de janeiro do ano seguinte; mas permutando a Igreja como o padre José de Oliveira, Vigário que era da paróquia de S. Salvador de Guaratigbá, passou este por apresentação de 21 de fevereiro de 1756, e confirmação de 11 de julho do mesmo ano, a tomar posse da Freguesia, como 4º proprietário.
Sucedeu 5º o padre Felipe de Siqueira Unhão, por Carta de 2 de abril de 1771, e Confirmação de 6 de novembro seguinte. Foi 7º o padre Baltasar dos Reis Custódio, por Carta de 9 de dezembro de 1786, e confirmação de 26 de maio do ano seguinte. É atualmente 8º o padre José Gomes Sardinha (80).
Com 4 a 5 léguas, ao norte, chega a jurisdição paroquial à Serra dos Órgãos, onde topa com a Freguesia de Nossa Senhora da Piedade de Anhum-mirim; e passando os limites da Freguesia de Nossa Senhora da Ajuda de Aguapeí-mirim, continua sobre a Serra pelas três Fazendas, que foram de João de Couto e por sua morte passaram ao Coronel de Milícias José Bento, povoadas e cultivadas na distância de 4 léguas em quadra, cujos confins vão ter pelo sertão ao distrito de Cantagalo ao norte. Com a Freguesia de Aguapeí-mirim, ao nascente, finaliza em 1 ½ légua, e na barra do Rio Magepe termina, ao sul, com 1 légua de distância. Pelas vertentes dos morros batiza, finalmente, ao poente, com a Freguesia de São Nicolau de Sururuí, distante 2 léguas. Nesse círculo numere 600 fogos, e mais de 8.100 almas.



Igreja Matriz de São João de Meriti

Localizada na Praça Getúlio Vargas, Centro, a Igreja Matriz que conhecemos hoje, nada tem haver com sua construção original. Com obras de ampliação nas décadas de 50 e 60 perdeu-se todas as linhas arquitetônicas coloniais, mantendo-se porém, ponto de fé e orgulho de sua comunidade.

Sua construção começou por volta de 1875 com a doação de 30 contos de réis e mais a pia batismal pela Princesa Izabel. Apoiada pelas famílias tradicionais da localidade como os Tavares Guerra, Telles de Menezes entre outros.

No local foi inicialmente erguida como capela, pois somente com a chegada dos padres franciscanos à região em l932, passando neste ano a sede da freguesia, a partir daí reformulou-se sua construção, dando-lhe características de Igreja Matriz.

Acompanhada de grande festa, sua inauguração deu-se em 24 de Junho de l938, com a presença do então interventor no Estado do Rio de Janeiro, o Sr. Amaral Peixoto. Aos fundos ficava o Cemitério da Irmandade do Sagrado Coração, onde hoje funciona o Colégio Fluminense. A área da praça ia desde o cemitério até a Av. Dr. Arruda Negreiros.

A Igreja de São João Batista de Meriti é constituída de uma grande nave central com capela-mor e coro. Santos diversos, compõe os vitrais. Detalhes em alto relevo nas paredes, representando a via crucis. Teto e pilastras decorados. Destaca-se ainda a construção da Torre do relógio nas décadas de 1950/1960. Possui teatro, salões de festa e prédio de residência paroquial. No seu entorno possui algumas lojas que pertencem a irmandade da Igreja. Forma com Duque de Caxias uma Diocese.



Igreja de Nossa Senhora da Piedade de Iguaçu
(300 Anos de História)

Antônio Lacerda de Meneses
É pesquisador da História Religiosa da Baixada

A Torre Sineira da Igreja de Nª Sra. da Piedade
da Vila de Iguaçu foi o que restou nesses 300 anos
de sua história.
(Foto do Prof. Gênesis Tôrres).

Localizada à margem direita do rio Iguaçu numa planície circundada de pequenos morros, a Igreja de Nossa Senhora da Piedade teve sua origem na capela que o alferes José Dias de Araújo autorizou construir em sua terra, no ano de 1699.

No princípio foi a capela, feita de pau-a-pique e escondida na bonita paisagem, que testemunhou a fé dos primeiros colonos de Iguaçu. Era o lugar para as ladainhas, novenas e festas da padroeira. As celebrações dos sacramentos eram feitos durante as missões e desobrigas. A capela de N. Sra. da Piedade estabelecia, na nova terra, uma referência e garantia uma continuidade. Assim sacralizavam, com os símbolos católicos da cruz e do sino, a terra antes dominada pelos Tupinambás de Iguaçu.

Em 1704, Garcia Rodrigues Paes, filho do bandeirante Fernão Dias Paes Leme "o caçador de esmeraldas", abre o Caminho Novo das minas do ouro, favorecia os povoados do Recôncavo da Guanabara. Situada na rota do ouro, Iguaçu prosperou e em 1719 é elevada a categoria de freguesia com capela curada, ou seja uma capela com cura (padre) residente. Este fato evidencia o reconhecimento, por partes das autoridades coloniais, de uma área de ocupação com potencial econômico.

Como capela curada, permaneceu a freguesia até 1746. Neste ano foi transformada em paróquia encomendada. Encomendar uma freguesia, consistia em nomear um pároco "quer ad tempus". Ele era interino e podia ser transferido pelo bispo. Esse pároco encomendado deveria ser sustentado pela freguesia, sendo assim, passou a ser normal em Iguaçu a cobrança de "pé-de-altar"; além das chamadas "conhecenças", que eram pagas na quaresma. Os "pés-de-altar" eram os rendimentos que os párocos obtinham através de cobrança de taxas sobre o batismo, casamentos e enterros.

O alvará régio de 24 de Janeiro de 1755, deu à paróquia a natureza perpétua. Foi seu primeiro pároco João Furtado Salvador de Mendonça. O pároco recebia a paróquia em caráter vitalício, isto é, perpétuo. Esse vigário denominado "pároco colado", era funcionário da Corôa, recebia uma pensão determinada pelo rei, chamada de côngrua. Além da administração dos sacramentos, o pároco realizava a "cura de almas" dos fregueses. A cura de almas era o que hoje a Igreja Católica chama de pastoral, e compreendida a pregação, o ensino da doutrina cristã, a missa dominical, o cuidado com o templo e "o remédio das necessidades dos pobres". Contudo, a cura de almas não se reduzia apenas a isso. Para fazer vigorar a virtude entre os fregueses de Iguaçu, o pároco, visto na tradição moral católica como "pater et magister", deveria admoestar e punir os que persistem em seguir o erro e pecado.

Segundo Monsenhor Pizarro, visitante pastoral em 1794, no território da freguesia consta uma única capela, a de Santo Antônio construída em 1742 na fazenda do padre Antônio da Motta Leite. Irmandades são quatro: Irmandade de São Miguel, Irmandade de N. Sra. do Rosário dos Pretos de Iguaçu, Irmandade de N. Sra. da Conceição dos homens pardos e Irmandade do Santíssimo Sacramento, congregando os "homens bons": comerciantes e fazendeiros de Iguaçu. Irmandades são associações religiosas de leigos, através das quais os leigos participavam ativamente na construção de igrejas, na promoção das devoções e festas e nas obras de caridade . A população da freguesia era de 963 habitantes livres e 1219 escravos. Contava com dois engenhos, quatro engenhocas e algumas olarias. As principais lavouras cultivadas eram de cana-de-açúcar, mandioca, milho, feijão, arroz e café. A produção era embarcada no Porto dos Saveiros e no Porto do Feijão, levada pelo rio Iguaçu chegava à Capital da Colônia.

O ilustre naturalista Auguste de Saint-Hilaire esteve na freguesia de Iguaçu em 1816 e nos deixou este relato: "Iguaçu sede de paróquia não é vila propriamente dita, mas conta com algumas mercearias e armarinhos bem sortidos, bonitas vendas, algumas ferrarias, cujo ofício é aí mais necessário que qualquer outro, por causa da passagem contínua dos tropeiros de Minas Gerais que descem a serra. O rio Iguaçu é navegável desde essa paróquia até a Baía do Rio de Janeiro. Oferece aos fazendeiros da vizinhança caminho cômodo para o transporte de sua produção".

A freguesia de Iguaçu será beneficiada economicamente pela Estrada Comércio inaugurada em 1822. A estrada vai reativar o comércio e movimentos nos portos do rio Iguaçu. As mercadorias para consumo da Corte e o café para o mercado externo eram transportados no lombo de mulas pela Estrada do Comércio que começava em Iguaçu. Durante o ciclo do café, Iguaçu não se destacou como produtora; porém a compra, a revenda e transporte do café trouxeram progresso para a freguesia. Como fruto do seu desenvolvimento foi criado em 1833, a Vila de Iguaçu formada pelas freguesias de Iguaçu (sede) , Inhomirim, Pilar, Santo Antônio de Jacutinga, São João de Meriti e parte da freguesia de Marapicu que ficava à margem direita do rio Guandu.

Hoje, a torre do campanário é o que resta da Igreja de N. Sra. da Piedade de Iguaçu. A bonita torre clama por uma restauração. É o marco inicial da igreja em Iguaçu, foi palco de grandes acontecimentos históricos. Você pode visitá-la e aproveitar para conhecer a antiga vila Iguaçu. Vá pela estrada Vila de Cava - Tinguá e após a fazenda Sr. Bernardinho, perguntar aos moradores onde fica Iguaçu, a antiga.


Igreja de Nossa Senhora da Piedade de Inhomirim
Antônio Lacerda de Meneses
É pesquisador da História Religiosa da Baixada

O Rio Inhomirim era uma importante via fluvial da Baixada. Pelo rio entraram colonos e se estabeleceram em terras planas e férteis. Logo fez-se uma capela dedicada a N.Sª. da Piedade, a data da fundação e o nome do doador do terreno não se sabe, “em razão da antigüidade deste templo” segundo Monsenhor Pizarro visitador pastoral em 1795. Inhomirim significa, em tupi-guarani “campo pequeno”, lembrando que antes dos portugueses esta terra era habitada pelos Tupinambás.

Com o crescimento do povoado se fazia necessário a presença constante de um padre, por isso em 1677 é criada a freguesia (distrito paroquial) de N.Sª. da Piedade do Inhomirim. O primeiro pároco foi o Pe. Joaquim Moreira que serviu até falecer a 13 de outubro de 1709. A freguesia de Inhomirim era vastíssima, existiam capelas filiais (comunidades) que ficavam “serra acima” e “serra abaixo” (hoje Petrópolis e parte de Magé). As capelas na serra, devido a distância da matriz, tinham direito a pia batismal, enquanto as da baixada realizavam os batizados na matriz de N.Sª. da Piedade. Nesta igreja foi batizado Luiz Alves de Lima, futuro Duque de Caxias, nascido nesta freguesia em 25 de agosto de 1803.

A freguesia de Inhomirim, com o movimentado porto da Estrela onde em volta se formara um vistoso arraial com uma capela dedicada a N.Sª. da Estrela, disputava com Iguaçu a hegemonia econômica na região. Quando foi criada a Vila de Iguaçu, em 1833, as elites de Estrela e Inhomirim não aceitaram fazer parte do município de Iguaçu, gerando intrigas políticas que acabaram por extinguir a Vila de Iguaçu em 1835. Iguaçu foi repartida entre as Vilas de Vassouras e Magé. Nesta época era comum o dito popular “Deus nos livre da política de Iguaçu e das febres de Macacu”. O Comendador Francisco José Soares mobilizou a população de Iguaçu para um abaixo-assinado pedindo a restauração da Vila, fato alcançado em 1836. Comendador Soares, o Restaurador da Vila de Iguaçu, faleceu na sua fazenda Morro Agudo em 1873.

Em 1846 é criada a Vila Estrela levando consigo as freguesias de Inhomirim e Pilar. O desvio do eixo econômico em 1854, devido a inauguração da 1ª ferrovia brasileira que partia do porto de Mauá à Raiz da Serra, fez com que a Vila Estrela com seu porto, entrasse em decadência. Em 1891 é extinta a Vila Estrela e a freguesia de N.Sª. do Pilar volta a pertencer a Vila de Iguaçu. Inhomirim é anexada a Magé, de onde luta até hoje pela sua emancipação política.


Igreja Nossa Senhora do Pilar
Antônio Lacerda de Meneses
É pesquisador da História Religiosa da Baixada

A freguesia (distrito) de N.Sª. do Pilar é uma das mais antigas do Recôncavo da Guanabara. A primeira doação de sesmaria (grande lote de terra) na região foi para Gaspar Sardinha, em 1571. Seus descendentes construíram uma ermida em 1612, dando origem à Igreja de N.Sª. do Pilar. Esta permaneceu como Curato até 1696. Neste ano é transformada em “Paróquia Encomendada” pelo bispo do Rio de Janeiro, Dom José de Barros Alarcão. Encomendar uma paróquia consistia em nomear um pároco “quer ad tempus”. Ele era temporário e podia ser transferido para outra Paróquia, caso o bispo achasse necessário.

No território da paróquia existiam três capelas, N.Sª. do Rosário, na fazenda do mesmo nome, próximo ao rio Saracuruna, fundada em 1730; Santa Rita, fundada em 1766 no lugar chamado de Taquarussú e N.Sª. das Neves. Quatro eram os oratórios familiares com as devidas licenças para padres celebrarem a Eucaristia.

A freguesia de Pilar viveu período de opulência com a criação do seu porto, durante o ciclo do ouro. Afluente do rio Iguaçu, o rio Pilar (antes chamado Morobay) recebia e despachava embarcações trazendo progresso para a região. Devido a passagem do ouro das Minas Gerais em Pilar, foi construído ali um registro para a fiscalização do ouro. No mapa da Capitania do Rio de Janeiro, feito por Vieira Leão, em 1767 (Arquivo Diocessano - Setor de Mapoteca) encontra-se assinalado no cruzamento do Pilar com o Rio Iguaçu, a legenda “Guarda do Pilar”.

Sobre a freguesia de Pilar, Miliet de Saint Adolphe, (Dicionário Geográfico Histórico e Descritivo do Império do Brasil, 1863), escreveu: Consta de uma só rua no topo da qual se vê a igreja matriz; a casaria é aparatosa e com muitas lojas de fazendas. Em seu termo não existe senão um engenho e uma olaria para fazer tijolos e telhas. A população anda por 3.000 habitantes, que lavram cana de açúcar, colhem arroz, milho, feijão, café cujos gêneros levam com facilidade para o Rio de Janeiro, sendo que todos os ribeirões e rios adjacentes são, navegáveis...”

Para visitar a histórica Igreja de N.Sª. do Pilar, você deve ir pelo Bairro Lote XV até chegar ao Bairro Pilar, em Duque de Caxias.


       
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