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Terça-Feira, 16 de Março de 2010.

São João de Meriti


- O recado eletrônico via eleições 2002

- Política na Baixada

- Fragmentos políticos de um fim de milênio

- Eleições 2002, vitória da competência!

 

 

Política na Baixada
Gênesis Tôrres
Professor de História, pesquisador e membro do IPAHB

Política é uma atividade desenvolvida intrinsecamente pelo homem, só se realiza com a presença dele, quanto maior é o contingente humano maiores também são as relações dela advindas. Política tem assumido nos tempos em que vivemos várias conotações, porém queremos aqui nos deter no seu sentido original, ou seja, aquela que busca o bem estar geral da população. Assim, fazer política é estar constantemente buscando soluções para o bem-estar de sua gente e colocando o que de melhor existe na sociedade a serviço de todos.

Com um conglomerado de cerca de 3.5 milhões de habitantes e com um total de 2.254.429 eleitores, que votaram para prefeito no pleito de 1996, a Baixada representa ao nível do Estado um contingente eleitoral, que nos últimos 20 anos tem chamado a atenção dos analistas políticos.

Desse total de eleitores, os municípios de Nova Iguaçu, Duque de Caxias, São João de Meriti, Belford Roxo e Nilópolis, somam juntos 1.700.276 votos, deixando para os municípios que estão mais no interior, como Magé, Guapimirim, Queimados, Japeri, Paracambi e Seropédica o restante dos 325.133 votos.

Essa massa de eleitores, gozando plenamente dos direitos à cidadania, é formada basicamente de migrantes ou filhos, vindos do interior deste país ou de outras partes do globo e que aqui se juntaram para construír o seu eldorado. Esta população, do ponto de vista cultural é bastante heterogênea e com perfil ideológico ainda por definir, logo, presa fácil da política populista muito comum nos grandes bolsões populacionais, onde as carências somavam-se à falta de todo tipo de infra-estrutura urbana. É bom lembrar que a Baixada em termos de ocupação do solo sempre foi problemática devido à dificuldade de escoamento de suas águas, região fácil também na proliferação de doenças tanto endêmicas como epidêmicas.

O clima democrático da abertura política que se instalou após as eleições de 1982, acendeu nesta população as esperanças de ver os seus problemas resolvidos, em principal os da saúde, saneamento, educação e os de infra-estrutura urbana. Os partidos de centro e de esquerda e os candidatos ligados a política clientelista, de soluções imediatistas, que sempre acenaram: com vagas nas escolas; uma ambulância sempre à disposição; um caminhão para mudanças; alguns metros cúbicos de barro para aterrar seu terreno; uma dentadura; um par de óculos; alguns tijolos para construir sua casa; a solução para uma receita médica; uma ligadura de trompa; alguns exames médicos etc.., levaram os candidatos a montarem os chamados serviços sociais cuja finalidade era e é o de suprir a deficiência e o dever do Poder Público.

Com isso, foram aos poucos desaparecendo os candidatos chamados "copa do mundo" que só aparecem de quatro em quatro anos, para pedir o voto e depois desaparecem. As exigências do povo em relação aos candidatos aumentaram e o que nós assistimos nestes últimos anos foi uma inversão do mapa político, a Baixada passou a fazer uma bancada maior de candidatos eleitos tanto ao nível estadual como federal, fato que despertou nos candidatos de fora da região um reavaliação de seus métodos de fazer política em uma região tão carente.

Assim, as soluções para os grandes problemas da Baixada estão passando necessariamente pelas discussões ao nível estadual, federal e até internacional. Vide os investimentos que estão sendo feitos no saneamento da Baia da Guanabara (PDBG) e que necessariamente os trabalhos se voltaram para o esgotamento sanitário e construção das estações de tratamento de esgoto com valores superiores a l bilhão de dólares.

Hoje a Baixada, no ranking do crescimento nacional, é colocada como uma das regiões com maiores possibilidades de superar seus problemas.

Conta hoje a Baixada com uma representatividade no Congresso Nacional de 07 Deputados Federais e uma bancada de 20 Deputados Estaduais, assim discriminados:

  • Deputado Federal Alexandre Cardoso do PSB
  • Deputada Federal Almerinda de Carvalho do PFL
  • Deputado Federal Cornélio Ribeiro do PDT
  • Deputado Federal Fernando Gonçalves do PTB
  • Deputado Federal Heleno Augusto de Lima do PSDB
  • Deputado Federal Luiz Eduardo do PDT
  • Deputado Federal Simão Sessim do PPB
  • Deputado Estadual Andréa Zito do PSDB
  • Deputado Estadual Artur Messias do PT
  • Deputado Estadual Carlos Correia do PDT
  • Deputado Estadual Délio Leal do PMDB
  • Deputado Estadual Jorge Theodoro do PFL
  • Deputado Estadual Ernani Boldrim do PPB
  • Deputado Estadual Fábio Raunheitti do PTB
  • Deputado Estadual Farid Abraão do PPB
  • Deputado Estadual Geraldo Moreira do PDT
  • Deputado Estadual José Távora do PDT
  • Deputado Estadual Junior do Posto do PMDB
  • Deputada Estadual Lúcia Souto do PPS
  • Deputada Estadual Magaly Machado do PL
  • Deputado Estadual Marco Figueiredo do PSC
  • Deputado Estadual Manoel Rosa da Silva do PDT
  • Deputado Estadual Núbia Cozzolino do PTB
  • Deputado Estadual Renato de Jesus do PMDB
  • Deputado Estadual Uzias Silva Filho do PSC
  • Deputado Estadual Walney Rocha do PMDB
  • Deputado Estadual Washington Reis do PSDB

Assim, concluímos que o povo da Baixada, pode não ter escolhido o melhor candidato para representar seus interesses, mas com certeza, aprendeu que deve escolher aquele que está mais perto de seus problemas, mesmo que isto lhe custe abrir mão de alguns projetos nacionais. Na realidade ele não mora na União e nem no Estado, seu endereço tem nome de rua, bairro, cep e cidade e aquele que resolver seus problemas, com ele estará.

Sobe


Fragmentos políticos de um fim de milênio
Gênesis Tôrres
Professor de História, pesquisador e membro do IPAHB

Finalizava a década de 70 e chegava ao fim um longo período de exceção política. Agonizava a ditadura com o seu último presidente. Fazia-se a democracia ou arrebentava a nação. O povo na rua pedia eleições livres em todos os níveis. O presidente da transição ainda foi eleito pelo colégio eleitoral e era um civil. O destino quis a sua morte.

Eleições para governador, senadores e deputados, prefeitos e vereadores, vinculam todos os votos, é o último casuísmo da ditadura. Pela força tentavam as elites se perpetuar no poder. Vencem as eleições as esquerdas lideradas pelo PMDB, PDT e um pequeno grupo do PT, PC do B e PCB. O Brasil experimentava as primeiras mudanças e as práticas político-administrativas tendiam a continuar. Os mecanismos estatais em todos os níveis eram anacrônicos e extremamente burocráticos. Tudo funcionava de forma que facilitava o clientelismo, o apadrinhamento e o mandonismo dos caciques locais.

O país exigia reformas profundas e o povo nas ruas pedia "diretas já" com reformas administrativas e o fim da ciranda inflacionária. Queria desenvolvimento sem arrocho salarial. Foi o ciclo das greves. Havia desejo de participação e vontade política de mudanças.

Meriti 1982. O povo vota em Brizola e com ele elege Manoel Valença, um homem despreparado, um aventureiro qualquer. Tornou-se presa fácil nas mãos de um grupo político experimentado pelos anos no poder. 1985 veio a sua cassação por desvio do erário público. Assume seu vice por exigência da lei e por contar com o apoio da sociedade organizada e de segmentos mais coerentes do PDT.

1986 veio a constituinte e dois anos após o país tem uma nova constituição. O Estado deixou de ser o pai da pátria, o povo assumiu o comando da nação. Quando tudo caminhava para grandes mudanças vence as eleições presidenciais o cavaleiro do apocalipse, tocando as sete trombetas, arrebenta com as esperanças, o povo movido pelas mesmas esperanças pinta a cara de verde e amarelo e exige sua renúncia e o Congresso acuado acaba ouvindo o rufar dos tambores que vinha das ruas. A nação já não agüenta mais. Enfim, há algo errado neste reino abaixo da linha do equador.

As esquerdas não se entendem, de lutas em lutas intestinas e provinciais vão perdendo oportunidades de chegar ao poder. A chamada direita conservadora e anacrônica assimila o discurso da esquerda e passa a ouvir os clamores das ruas. Experiente politicamente faz aliança com setores mais à esquerda, permite concessões importantes na administração pública. E dando passos largos, avança em direção à modernidade.

Os grandes bolsões de pobreza começam a ganhar escolas, creches, postos de saúde, coleta regular de lixo, praças e ruas urbanizadas, centros culturais e esportivos, os diversos setores da administração informatizam-se, os orçamentos são mais reais, fecha-se o cerco aos sonegadores, organiza-se o trânsito, moraliza-se o poder publico. O povo sente a presença do Prefeito e este por sua vez já não tem mais receio de estar ao lado do povo. Políticos "copa do mundo" perdem as eleições e o povo passa a encarar o político de frente, sabe que o imposto que paga tem que retornar em forma de melhorias na qualidade de vida.

Isto faz-me pensar o homem como um ser eminentemente político, na figura do "homus publicus", àquele que nasceu para servir e não para ser servido, que uma vez no exercício do cargo público, despoja-se das vaidades pessoais. Para este homem, o poder só interessa se é para realizar o bem comum e não para se locupletar. Deixar heranças para este cidadão, não são bens materiais, mas uma cidade que dignifica quem nela habita, tendo o dinheiro público gasto com inteligência e honestidade.

Nesse processo de mudanças, alguns setores da organização social tiveram papel preponderante. A imprensa, os sindicados, os movimentos de moradores, o movimento estudantil, o movimento das mulheres feministas ou das donas de casa, os sem terra e os sem teto, os partidos engajados, e outros representando as minorias sociais. Obviamente nem todos atuaram como se esperava, afinal nosso povo nunca teve ao longo da história oportunidade de manifestar-se livremente. O pensamento das elites era que "façamos a revolução antes que o povo faça" ou que "qualquer partido político só chegaria ao poder agarrados à cauda do cavalo de um general". Realmente, fazer as grandes mudanças demandaria tempo, organização e o fato oportuno.

Por todas as reações da sociedade brasileira ao final das últimas décadas deste milênio, podemos tirar grandes lições que, com certeza irão possibilitar o reestudo das grandes feridas existentes em nossa sociedade, e entre elas com certeza não está a da violência urbana, mas a corrupção e o mau uso do erário público, promovendo uma sangria em determinados setores que não permite o avanço da melhoria da qualidade de vida, gerando assim a miséria e com ela a violência urbana, que não é causa, porém o reflexo de questões mais sérias do tecido da organização judiciária, do legislativo, do executivo e de serviços como o previdenciário, e muitos outros.

Todas estas questões nos preocupam, não somente pelos fatos, que são combatidos a todo momento, mas, por que elas enraizaram-se de tal modo, tornando-se uma questão cultural. Dai é comum encontrar na boca do povo aqueles ditos populares que tentam justificar os erros e as mazelas da sociedade brasileira como: "fulano rouba mas faz...", "eu roubo, todo mundo rouba...", "brasileiro é assim mesmo, afinal somos um povo sem origem e sem cultura", afinal, são infinitos pensamentos que bem demonstram as diversas formas manipuladoras da consciência nacional, muitas das vezes para satisfazer interesses pessoais, escusos e eivados de preconceitos.

Nesta eterna luta dicotômica entre o bem e o mal tem vencido o bom-senso, a inteligência e a racionalidade, não permitindo a criação de espaços que possam subverter a ordem natural dos avanços e das conquistas sociais e políticas. O século XXI parece-nos que caminha para a construção de uma sociedade mais livre, consciente e justa.

Sobe

 


Eleições 2000, vitória da competência!
Gênesis Tôrres
Professor de História, pesquisador e membro do IPAHB

Para quem acompanha o processo eleitoral brasileiro, já deve ter percebido nestes últimos 20 anos que as eleições são um exercício da democracia que nem sempre tem refletido a lógica que se espera. A lógica eleitoral é sempre uma caixa de surpresa e cheia de armadilhas, que não se explica pelas leis matemáticas. Sua compreensão não é tarefa apenas para os sociólogos, mas também os psicólogos. O comportamento social das massas tem algo que viaja no mundo do inconsciente coletivo. A urna tem um recado quase sempre imperceptível aos sentidos humanos, é algo para semideuses, na sua eterna busca para interpretar a vontade humana. Para os mais experientes na política brasileira, a eleição depende de inúmeros fatores que conjugados, podem dar um resultado favorável a um determinado candidato ou vice-versa.

Para nós, cada eleição tem uma característica e não poderia ser diferente, afinal, as realidades históricas demonstram que o mundo não é algo estático, amorfo e indiferente. Nosso universo social é dinâmico e está em constante movimento, a sociedade avança não pelos que estão a favor, mas da eterna luta dos contrários. O processo social vive uma ebulição que sempre aflora no momento em que seu destino é colocado diante de questões onde os interesses individuais e coletivos estão em jogo.

Nosso município completou nesta virada de século 53 anos de emancipação, tendo exercitado ininterruptamente o processo eleitoral. Nossa primeira Câmara elegera uma Vereadora, sete vereadores do PSD, dois do PTB, dois da UDN e um do PST. O primeiro prefeito foi eleito em 1947 pelo PSD - era o médico José dos Campos Manhães. Ao sair da Prefeitura em 1950, não deixou nenhum herdeiro político, pelo contrário, deixou a cidade sem uma liderança e desorganizada politicamente, o que provocou um conjunto de crises políticas, gerando fatos inéditos como a existência de duas câmaras e sete prefeitos.

Os períodos que se seguiram, a partir de 1955, demonstraram que cada prefeito que assumia o executivo não estava alinhado com o seu antecessor e não tinha compromissos em continuar sua obra ou seus projetos. Isto provocava um descompasso no planejamento urbano. A população crescendo em ritmo acelerado, aumentava a demanda por serviços públicos.

Miguel Archanjo não sucedeu J. Campos Manhães, que teve como candidato Dulcimar Garcia. Domingos Correa nada tinha com Miguel Archanjo. O sucessor de Domingos Correa tinha como candidato Virgílio Azambuja e saiu vencedor Ário Theodoro deixou a desejar e foi substituído pelo próprio Domingos Correa. O sucessor de Domingos foi José de Amorim Pereira, candidato natural de consenso do MDB, ao sair do Executivo não elegeu seu substituto natural Valdílio Villas Bôas, vencedor pela ARENA, porém perdedor pelo MDB, que lançou três candidatos em sublegendas e a soma deles deu vitória ao mais votado, o Prof. Alayr Moreira Dias. Tinha como seu candidato nas eleições de 1972 Abdon Gonçalves. No entanto, saiu vencedor do pleito Denoziro Afonso. O substituto de Denoziro foi Celestino Cabral que, dada a situação de desgaste de seu governo, lançou um candidato desconhecido e ainda muito jovem.

Veio a abertura política e Celestino se desincompatibilizava para concorrer as eleições para Deputado Estadual. Depois de cinco anos como prefeito, não conseguiu garantir um eleitorado capaz de devolver em votos sua obra na Prefeitura. Celestino melancolicamente abandona a política. No pleito de 1982, concorreram velhos políticos como José de Amorim, Alayr Moreira Dias, Jorge Assia Tanus Bedran e outros mais novos, como Mussoline Chedier e Manoel Valência Opasso. Este, por sua vez, saiu vitorioso das urnas, numa eleição complicada em que além do voto ser vinculado com o de Governador, ainda se permitia sublegenda. O PDT saiu vitorioso pois tinha dois candidatos, sendo eleito Manoel Valência Opasso.

Manoel Valência é cassado por corrupção e seu substituto na qualidade de Vice assume. Leva consigo um projeto de fazer substituto o então Dep. Carlos Correia. Vence o pleito nas eleições de 1988 seu opositor José de Amorim Pereira. Amorim, por sua vez, não elege o candidato natural, o então Deputado Federal Paulo de Almeida. Acaba vencendo o noviço Adilmar Arcênio (Mica). Mica esperava fazer seu substituto Cândido Matos (Candinho), mas acabou vencendo Antonio de Carvalho.

Antonio de Carvalho quebra esta seqüência de más administrações e desafiando a tradição, promove uma administração voltada para obras de infra-estrutura urbana e aliada a um forte apelo às questões sociais. O resultado que já era esperado - venceu as eleições em primeiro turno com 50,44 % dos votos válidos.

Os opositores de Antonio de Carvalho, no pleito de 2000, não foram somente os da terra. Seu combate político teve figuras estranhas aos interesses locais. Carlos Correia importou o governador, transformando-o em seu cabo eleitoral de luxo, levou 22,19 % dos votos. Antônio Carlos Anuda trouxe a tiracolo o prefeito Zito, e levou 16,61 % dos votos. Os demais candidatos - Cândido Matos, Domingos Freitas e Domingos Garcia -, juntos, ficaram com 10,75 % dos votos válidos.

O sucesso da administração Antonio de Carvalho foi marcado por alguns princípios, até então, esquecidos pelo homem público no exercício do poder, qual seja, o de fortalecer as esperanças e levantar a auto-estima do povo, não com discursos, mas com ações concretas. Um povo que a cada eleição perdia as esperanças em ver resolvidas questões simples, como o direito de ir e vir. Como sair ou chegar em casa, se simplesmente a sua rua não existia. Nos terrenos baixos, esgotos entupidos, valas, mato e lixo. Nas ruas altas, enormes crateras causadas pela erosão pluvial, intransitáveis e com enormes lixeiras. Em todas essas ruas, os terrenos eram desvalorizados e não se investia na melhoria da qualidade das residências. Em 50 anos de história, no universo das ruas apenas 30 % haviam recebido qualquer tipo de melhoria. O governo de Antonio de Carvalho em 3 anos fez mais do que o dobro das existentes, com uma novidade: envolveu o povo neste processo através de mutirões de concretagem. Assim, o povo sentiu-se cúmplice das melhorias, tornando-se responsável por aquilo que havia conquistado e cativado.

Estas questões refletem uma dura realidade, que não são somente de São João de Meriti, mas de toda a Baixada Fluminense. O inchaço populacional fez surgir uma massa de indivíduos desprovidos de cultura política, porém crítica, mas incapaz de discernir entre o político administrador e o político demagogo e populista. E o resultado sempre foi o de renovar a cada eleição, pensando que estaria mudando. Política ainda é a arte de governar.


       
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