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Existem fatos
sociais, econômicos e políticos que são visíveis
aos nossos olhos, não necessitam de maiores explicações
e análises, eles se explicam por si sós e já trazem
no seu bojo todos os conteúdos que justificam suas razões.
Os fatos políticos têm suas especificidades e fazem parte do
conjunto dos fenômenos que compõem a superestrutura de uma
sociedade. Os fenômenos políticos pretendem não ser
explicáveis, eles emanam da vontade da maioria da sociedade, que
manifestando seu desejo o faz, pelo menos em tese, consciente de sua responsabilidade
perante os seus direitos e deveres para com a sociedade a que pertence,
é o princípio de que todo poder emana do povo e em seu nome
será exercido, logo não se explica, cumpre-se.
Qualquer analista político e os cidadãos mais experientes
sabem que todo processo eleitoral tem como característica o de ser
diferenciado, a eleição é sempre fruto de uma conjuntura,
nasce e desenrola-se dentro de circunstâncias adversas. Eleição
é um processo dinâmico e circunstanciado por ações
nem sempre racionais onde se dá invariavelmente embates movidos mais
pela emoção e menos pela razão.
No quadro eleitoral do Estado do Rio de Janeiro, aparece a seguinte estatística
eleitoral divulgada pelo TRE: lº Rio de Janeiro com 4.327.481 eleitores,
2º São Gonçalo com 561.405 eleitores, 3º Duque de
Caxias com 506.886 eleitores, 4º Nova Iguaçu com 453.494 eleitores,
5º Niterói com 382.994 eleitores e o 6º São João
de Meriti com 320.350 eleitores.
Dos eleitores inscritos em Meriti, compareceram às urnas no dia 06
de outubro 277.686, com uma abstenção de 42.664 eleitores
correspondente a 13.31%; 4.676 votaram em branco correspondendo a 1.68 %;
10.663 anularam o seu voto correspondendo a 3.83% e 262.347 votaram como
cidadãos conscientes das mudanças correspondendo a 94.47%
dos votos válidos. É importante destacar que esta estatística
é válida para a eleição de presidente, como
ela aconteceu no mesmo momento e no mesmo ato, ela serve para identificar
o quantitativo de eleitores que foram às urnas.
Estes dados nos fazem lembrar de outras importantes informações
e que nos servirão para complementar algumas reflexões: Excluindo
a capital Rio de Janeiro, SJMeriti é o 5º colégio eleitoral
e pelos dados do IBGE as pessoas residentes no município em 1991eram
de 425.772, em 1996 eram de 434.323 e em 2000 apresentava 449.476, o crescimento
em uma década não foi significativo comparando-se às
décadas anteriores de 50, 60, 70 e 80, onde os dados de crescimento
vegetativo da população eram alarmantes e cresciam numa proporção
geométrica. Assim, o crescimento populacional criava uma demanda
por serviços públicos básicos, o que freqüentemente
deixava o processo político eleitoral à mercê do populismo
inconseqüente e aliado às eleições viciadas, recheadas
de corrupção de toda sorte.
O voto eletrônico inaugurou uma nova era no processo eleitoral, pois
ele permitiu a altaneira expressão da vontade do cidadão e
nestas questões, ele pode não saber ler e escrever, pode não
conhecer mais detalhes sobre o seu candidato, pode ser induzido ao erro
político, pode não compreender o quanto é difícil
o jogo de palavras no emaranhado complexo mundo político com todas
as suas injunções ideológicas e correntes de pensamento
que norteiam a vida econômica e social, porém, uma coisa o
eleitor sabe definir, é a dura realidade de sua vida. Nesta questão
ele é um “expert” e só quem está desempregado,
morando mal, comendo mal, vestindo mal, sabe o que pesa na hora de definir
a sua vontade política. Assim, ele comparece diante daquela maquininha
eletrônica e manda às “favas” todos aqueles que
prometeram e não cumpriram, se não tudo, pelo menos parte
de seus problemas.
Em Meriti ao abrirem as 898 urnas encontramos os seguintes recados: O eleitor
repudiou alguns nomes tradicionais e com mandatos políticos. É
bom lembrar que ele deu seu voto a quem reconhecidamente tem trabalho social
realizado com profundidade sem o assistencialismo desmedido. Observou também,
quem não foi fisiológico no exercício do mandato independentemente
das convicções político- partidária ou ideológico.
Valorizou quem na Assembléia Estadual e Federal buscou recursos para
a cidade, que durante o mandato defendeu os interesses municipais e teve
visão ampla do processo na busca de numerários, atendendo
a todos os setores da sociedade - passando pela saúde, educação,
o esporte, a cultura, e lazer, a habitação, o saneamento e
as obras de infraestrutura urbana.
Repudiou quem sempre aparece 90 dias antes das eleições pagando
umas meninas para ficarem nas esquinas com bandeirolas, camisetas, chapéus
e distribuindo santinhos ou mesmo os de maiores cabedais que espalham pela
cidade uma dezena de outdoor, quem emporcalha a cidade de galhardetes e
santinhos, e sem escrúpulos faz uns acordos, compra uns cabos eleitorais
e tenta convencer que é o candidato ideal.
Outro importante recado foi a derrota dos candidatos ligados ao pretensioso
chamado “rei da baixada”, fez suas incursões em Meriti,
pedindo que votasse nos seus candidatos para que pudesse ser em 2004 Prefeito
de Meriti. Seu candidato a Deputado Federal (o Doutor) não conseguiu
aqui ter mais votos do que a Deputada Federal (a amiga sempre presente)
em sua cidade. Sua filha, aqui fez vários comícios e caminhadas,
com críticas veementes ao Governo Municipal (muito fácil em
uma cidade com muitas carências e poucos recursos). O eleitor sabedor
deste discurso não se convenceu já que seu irmão como
mandatário em cidade vizinha faz um péssimo governo, tendo
o “rei” como seu avalista.
A realidade dos fatos políticos difere da realidade dos fatos econômicos,
esses são racionais e quantificáveis, aqueles são movidos
pela emoção e pela conjuntura, explicáveis portanto,
dentro da lógica intuitiva e subjetiva. Política antes de
ser ciência é uma arte, que não usa tinta, mas pode
pintar magníficos quadros, não toca música, mas pode
compor belíssimas canções, não faz poesia, mas
pode embalar os corações e a consciência de um povo.
Não é privilégio das elites, mas é conquista
de todo um povo.
De qualquer jeito Meriti avança pela vontade de seu povo, que na
sua infinita sabedoria vai buscando soluções para seus graves
problemas urbanos, sem deixar-se envolver pelo discurso fulo, demagógico,
populesco e inconseqüente. A cultura e a sabedoria de um povo é
o seu maior patrimônio e não pode ser destruído por
qualquer aventureiro de palanque, ainda bem que a caixa eletrônica
nos salvou dos incautos estelionatários eleitorais.
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