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Nos anos de 1946 a 1956, a comunidade meritiense lutava bravamente, em um grande processo de mutirão para construir seu Hospital Geral. Sua inauguração em 1956 foi o resultado da participação do povo e da classe política, que através do mutirão, fizeram grandes campanhas de material de construção. O hospital pronto virou o grande referencial da capacidade organizativa da sociedade meritiense. Neste mesmo período funcionava na antiga Av. Tavares Guerra {hoje Nossa Senhora das Graças), no mesmo local da Inspetoria de Rendas, uma unidade de saúde do Estado, inaugurada por Honório Gurgel, por influência do Dr Oscar Pimenta Soares. Este Posto dava atendimento principalmente de medicina profilática, puericultura e clínica geral. Havia neste posto uma equipe, chamada de guarda mata-mosquito. Este posto funcionou sob o custeio do Estado do Rio até o final da década de 60, quando então foi transferido para o Vilar dos Teles. O referido posto teve suas origens na casa do Dr. Isaac Vernet que ficava na rua São Pedro, onde hoje localiza-se o estacionamento das casas Sendas.
Nesta época a população saltava de 50 mil para 200 mil habitantes. Aquela sociedade hegemônica cedeu lugar a uma sociedade heterogênea, enfraquecida e sem identidade, incapaz, portanto, de produzir referenciais, frutos do processo intenso das migrações internas.
Foi no governo do Interventor João Batista Lubanco (1970) que surgiu o Posto de atendimento da Rua Valério Vilas Boas, mais conhecido como "peuzinho". A esta altura, o Hospital Geral, orgulho do povo, já estava nas mãos de uma organização chamada de "mordomia", vivendo com verbas do antigo Inamps e com recursos advindos da própria comunidade.
Em 1970, o governador Jeremias de Mattos Fontes construiu o Posto de Saúde Aníbal Viriato de Azevedo, bem próximo à Prefeitura, vinha para fazer atendimentos nas profilaxias da hanseníase, tuberculose e nas campanhas de vacinação, sendo responsável também pela vigilância e fiscalização sanitária. A construção do Posto era bastante tímida e longe das necessidades maiores da população, haja vista que a população atingia a casa dos 300 mil habitantes. Em 1978, foi construído também pelo Estado (no governo Chagas Freitas) o PU de Coelho da Rocha, para atendimento de vacinação e programas de saúde pública. Ao final da década de 70 e início dos anos 80, Meriti já apresentava uma população de 390 mil habitantes e apresentava um dos maiores índices de hanseníase e tuberculose, doenças típicas da miséria ao lado das questões de higiene pública.
No início da década de 80, com o fim do regime de exceção, a grande massa urbana formada com o chamado "milagre brasileiro" vai às ruas, organiza-se como movimento de moradores e cobra soluções urgentes. Em principal, às questões de saneamento básico, entendendo que este era uma questão crônica de saúde pública.
Meriti acumulava vários déficits - habitacional, educacional e o mais grave de todos, da saúde. No tocante ao saneamento, 70% do esgoto domiciliar eram jogados a céu aberto, nas chamadas "valas negras" - as ruas como não havia qualquer tratamento, exceto nos corredores viários, essas eram intransitáveis. Não havia coleta do lixo eficiente, multiplicando lixeiras em cada esquina. O povo, para se livrar delas, ateava fogo, provocando em suspensão atmosférica uma quantidade de gases, fazendo de Meriti uma cidade cinzenta e com altos índices de poluição em resíduos sólidos em suspensão. O aspecto era desolador. Esses fatores, ao lado do estrangulamento do uso do solo, colaboravam para expulsar os recursos privados, fechando o ciclo da miséria.
Nesta mesma época, o Governo Federal iniciava a construção do que seria a Unidade Ambulatorial do INAMPS, que virou um esqueleto de concreto abandonado por 15 anos.
Em 1983, com a posse de Manoel Valença, ascendem as esperanças. Porém, a corrupção toma conta de seu governo e sob muita pressão popular, através do movimento de moradores, a Câmara, acuada, leva-o à Justiça e meses depois, o governo estadual reconheceu as denuncias fazendo uma intervenção no município.
O governo do Interventor José Cláudio da Silva elaborou um plano emergencial de saúde. Na questão do lixo, contou com o apoio da Comlurb, recolhendo emergencialmente o lixo e, ao mesmo tempo, vendia para a Prefeitura caminhões reformados, aumentando a frota. Com aquisição de pá mecânica e tratores, procurou fazer uma grande faxina na cidade: o destino do lixo era a região margeando o Rio Meriti, hoje Juriti, Dique e Parque Analândia.
Nos equipamentos de saúde elaborou o projeto "Medico de Comunidade", através de Módulos de Saúde em diversas comunidades, como: Vila Jurandir, Morro das Pedras, Vila São José, Morro de Santa Helena, Gato Preto, Av. Tucão, Parque Alian, Vila União, Éden e Araruama. Estes módulos constavam de uma cama do tipo maca, uma balança pediátrica, uma balança de adulto e um armário. Era assistido por um médico - dependendo da disponibilidade podia ser pediatra, ginecologista ou clínico geral -, e uma auxiliar de enfermagem, funcionando em espaços cedidos pela própria comunidade. No Araruama e Morro das Pedras, foram construídos os novos espaços e nos outros lugares funcionavam em Associação de Moradores, Igrejas ou espaços arrumados também pela comunidade. Nos governos de José de Amorim e Adilmar Arcênio, estes módulos evoluíram para mini-postos com construções da própria Prefeitura, assim aconteceu no Gato Preto, Av. Tucão, Parque Alian, Vila Rosali, Vila Norma, Vila São José, Vila Tiradentes e Vila Jurandir.
Ainda no final dos anos 80, a população de toda a Baixada continuava a cobrar um projeto de saúde mais eficiente, fechando inclusive, a Rodovia Presidente Dutra, clamando por "Baixada já - S.O.S saúde". Nascia assim, no Governo Moreira Franco, o projeto chamado de "Unidades Mistas". Em Meriti, foram implantadas nos bairros Sumaré, Vila União, Vila São João e Éden. Os recursos financeiros vieram dos governos Estadual e Federal, os recursos e administração de pessoal era feito pelo Instituto Vital Brasil.
Com a inauguração, em 1996, do Posto de Atendimento Médico no Jardim Meriti e com a saúde já municipalizada, a cidade sem nenhum referencial de atendimento, transforma-o em "Posto de Urgência" ou, como queira, "Emergência".
Em 1992, faltando dois dias para o final do Governo Moreira, chega ao Município os termos da Municipalização de todo o Sistema de Saúde, ou seja, a responsabilidade com a saúde passava a ser da municipalidade. Um sistema anacrônico, confuso e complexo, que tinha e, ainda tem no seu bojo, funcionários federais, estaduais e municipais, com trabalhos iguais e salários desiguais, com planos de carreira, filosofias de trabalho e métodos de atendimento diferenciados, além de outras questões que travam o bom funcionamento de um dos mais sérios sistemas de atendimento à população.
Os recursos financeiros deste sistema são provenientes do erário federal, estadual e municipal. Esses recursos são amarrados a uma camisa de força - os critérios de repasses estão ligados à capacidade de atendimento e à competência no gerenciamento. São fiscalizados ao nível municipal pelo Conselho Municipal de Saúde e pela Câmara de Vereadores; ao nível estadual, pelo Tribunal de Contas; e pelo Governo Federal, através SUS. Tudo isto fez e faz da saúde uma das mais complexas máquinas administrativas do município.
A capacidade hoje instalada, acrescentando um hospital geral, já prometido pelo atual Governador Garotinho em área cedida pela municipalidade, aliado a um bom atendimento, ao lado das unidades já existentes, acrescentando um eficiente gerenciamento, com recursos descentralizados, poderia nos dar uma saúde nota 10. No entanto, do jeito que se encontra o atual sistema, os governos municipais administram crises e não soluções.
O Governo Antonio de Carvalho tem feito grandes avanços ao atacar os problemas da saúde na sua raiz, com erradicação de valas, calçamento dos morros, possibilitando recolher o lixo aonde nunca se chegou. Aumentou o atendimento materno-infantil, com programas para as parturientes, a construção do Hospital Infantil (Himac) e ainda dotando as unidades já existentes de equipamentos modernos para exames. Na questão ambiental, tem procurado fazer monitoramento do ar, buscando soluções com projetos de reflorestamento.
Acredito que uma das saídas é a transformação de todo o sistema em "Fundação Municipal de Saúde", recebendo recursos das três esferas do poder, contando com uma estrutura de gerenciamento própria das fundações, podendo ser mantido o Conselho Municipal de Saúde.
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